Maraqua! Lar de um Jetsam charmoso, lindo, inteligente, forte e corajoso: Eu! Meu nascimento foi marcado pelo assassinato dos meus pais, mortos pelos piratas do Cicatriz de Espada na época invasão à Maraqua. Com isso, fui isolado das outras crianças e adolescentes, todos achavam que eu era um ser revoltado e agressivo. Assim mesmo eu era feliz: adorava brincar com os petpets marinhos, dormia entre as algas coloridas, caçava Ghotis para me alimentar e por diversão... era livre.
Certo dia, enquanto nadava por aí, vi algo que parecia ser um Flotsam fantasma. Todo mundo que estava do lado de fora detonou pra dentro de casa para se esconder, mas eu fiquei lá... parado... olhando para aquela criatura. Eu não me movia, estava admirado demais, e o espectro também me viu, e veio em minha direção, num nado morto-vivo. Quando ele estava bem próximo, percebi que tinha apenas um manto branco sobre o seu corpo, contudo, algo me dizia que não era apenas uma mera fantasia... era real!
Não parecia ser uma criatura má, mesmo embaixo d'água, parecia chorar e me deu um aviso:

- Não vá aos Bosques Assombradossss...

E continuou seu nado assustador. Até pensei em perguntar o porque daquele aviso, mas não me atrevi e, por irônia, fiquei até curioso pra saber o que tinha nesses Bosques, mesmo o meu interior tentando me forçar a esquecer do Flotsam e do aviso, eu não consegui e, consequentemente, resolvi partir em viajem esse lugar. Primeiro, me despedi de alguns amigos petpets, depois guardei comigo alguns Ghotis para me alimentar no caminho, frutos das minhas eternas caçadas.

Então fui nadando em direção ao meu destino. Nadei muito, e muito e muito. Credo! Não imaginava que os Bosques Assombrados fossem tão longe!
Só descobri que estava chegando quando senti calafrios, uma coisa incomum entre os Jetsams. Fui à superfície e vi, a alguns metros, uma praia com um floresta escura ao fundo. Saí da água e fui caminhando em direção à mata, quando vi uma simpática plaquinha um pouco antes da floresta, que dizia algo mais ou menos assim:

Bem-vindo aos Bosques Assombrados. Se tem coragem, prossiga. Se não...

Até pensei que essa placa era apenas para dar medo nos turistas, mas quando me aproximei mais um pouco, percebi que os caracteres tinha sido escritos à sangue. Parei um pouco pra pensar... será que o aviso do Flotsam não teria sido em vão? Não, bobagem! Era só mais uma cidade escura... e deserta... e assustadora! Enquanto pensava solitário na areia da praia, uma mão fria e delicada tocar meu braço. Me virei rapidamente, pensando ser algum monstro ou alma, sei lá... mas era uma linda Jetsam. Parecia bem triste, ou melhor, estava com os olhos inchados, deve ter chorado demais. Foi a hora de outro aviso:

- Saia deste lugar maligno antes que seja tarde...

E ela saiu correndo em direção ao mar, agora chorando alto, mergulhou e sumiu no imenso mar azul. Eu fiquei realmente assustado depois disso. Será que não teria sido MESMO uma boa ideia ir parar ali? Bem, como eu já estava lá, não tinha mais volta e segui rumo a hostil floresta.

Desbravei a floresta de arvores secas e sombrias, mesmo ainda estando no começo, já estava com a estranha sensação de estar sendo observado, mas continuei mesmo assim. Enquanto eu caminhava, tentava não pensar em nada assustador, mas não foi possível, assim que passei por um cemitério. Cemitério no meio da floresta?! Continuei rápido, agora apavorado. Passei a ouvir os galhos das arvores sendo quebrados por alguém que andava, ou voava, sobre a copa delas. Não andava mais, agora corria! Parei numa clareira, iluminada pelo luar. Outra coisa esquisita: eu tenho certeza de que, quando eu cheguei, ainda estava de tarde, o sol ainda brilhava forte. Que lugar estranho.
Olhei para trás e percebi que tinha andado muito, tentando descobrir qual era o pior: voltar ou continuar... continuei.
Para piorar o que já estava ruim, uma neblina cinza me atacou, tirando completamente minha visão, e fazendo eu andar me apoiando nas arvores. Meus pensamentos também não ajudavam porque eu imaginava, com um fundo de verdade, que qualquer criatura poderia me atacar naquele instante, aproveitando-se da minha cegueira parcial. O terror atacou mais forte quando ouço passos, esmagando as folhas secas, vindo por trás de mim, perto demais para o meu gosto. Mas... como isso é possível? Se alguém estivesse me seguindo, eu já teria ouvido esses passos antes, já que todo o chão é coberto por essas folhas de outono. Então, fui andando mais rápido, ainda me apoiando nas arvores, mas os passos ainda davam a impressão de estarem muito próximos. Tive que correr para tentar fugir. Os galhos arranhavam meu rosto e eu tropeçava até no vento, além de não conseguir gritar para pedir ajuda. Se bem que seria inútil: não tinha uma alma viva por ali. Corri, corri, corri... e me cansei, óbvio! Pelo menos não ouvia mais os tais passos, porém... tinha corrido muito, dobrando em todo buraco que achava e, como resultado, me perdi num lugar totalmente desconhecido e obscuro.

Os passos retornaram. Parecia que quem estava me seguindo tinha a intenção de me aterrorizar para tornar a brincadeira mais divertida, seja lá qual fosse ela.
Eu não tinha mais forçar para fugir, então me escondi no interior de uma arvore oca, embora parecesse inútil. Fechei os olhos, prendi a respiração e fiquei igual à uma estatua, imóvel, não mexia nem a pupila do olho.
Abri os olhos lentamente e dei uma espiada rápida pelos buracos que tinha na arvore discreta, e vi uma capa preta vistosa e brilhante. Só podia ser um vampiro ou coisa assim. Embora eu não tivesse casa, sempre assistia Tv na casa dos outros, escondido. Já vi no Neopia Channel um filme dum tal de Lord Draikula, que tinha uma roupa igualzinha à esta. Tive que dar uma respirada aliviosa para não ter um treco ali dentro da árvore, contudo, eu devo ter feito muito barulho pois o suposto vampiro passou a se aproximar do meu esconderijo. Pus as mãos na boca, conseguia ouvir até os meus batimentos cardíacos. Tudo se silenciou por alguns segundos, fazendo com que eu pensasse que ele, ou ela, teria ido embora, mas fui surpreendido por uma mão gélida que me agarrou pelo pescoço e me tirou de dentro da arvore, com uma facilidade absurda e sem esforço. Eu suava frio, outra coisa incomum entre os Jetsams, enquanto encarava o ser.

Era um Grarrl. Me encarava com um sorriso maléfico no rosto, olhos vermelhos como sangue e tinha os dentes afiadíssimos expostos. A roupa era igual ao do Lord Draikula, como eu já havia percebido, ou desses Lords de filme antigo. Tudo ficou silencioso, até ele falar primeiro:

- Hmmm... seja bem vindo aos Bosques Assombrados.

- Q-quem é você? O que quer comigo? - que burro que eu sou! Nunca faça esse tipo de pergunta à um vampiro que esteja prestes a te morder. Eles se divertem ainda mais.

- Sou só um nativo... e, respondendo a segunda pergunta, só quero uma coisinha especial... - quando ele fechou a boca, cravou uma das suas afiadas garras no meu pulso, e cheirou o sangue que jorrou de imediato. Eu apenas fiquei com cara de dor, mas ainda não conseguia gritar. Nem passou-se dez segundos direito quando ele afastou o meu rosto com sutileza. Mesmo sento sutil, ele tinha uma força descomunal e eu não conseguia me libertar. Sem defesa alguma, tive que esperar a hora da morte, e ele mordeu meu pescoço, sugando meu sangue. Além de não poder gritar, também não conseguia me mover então só me restava esperar a morte vir me buscar. Mas, ele largou o meu pescoço e, meio irritado, falou com a cara mais cínica do mundo:

- Sorte sua eu já ter me alimentado hoje. - Sorte?! Ele ainda diz sorte?! Que descarado - Você vai sobreviver, e até se tornará um lindo vampiro, assim como eu.

Numa fumaça roxa, ele evaporou. Eu fiquei deitado na folhagem seca, examinando o meu pescoço com a mão. Algumas lágrimas caíram do meu rosto. Lembrei do aviso do Flotsam e da Jetsam... eles estavam certos. Agora não tinha mais volta. Arrastei-me para o interior da arvore oca para tentar dormir. Talvez eu acordasse melhor.

Acordei, impressionantemente, muito bem disposto. Sai de dentro da arvore e olhei para o céu coberto com nuvens cinzas, parecia agora que estava de dia. A floresta estava iluminada pelo céu. Dei um pulo e levantei, começando uma caminhada sem rumo. De tanto caminhar, fiquei com uma sede incontrolável. Procurei os Ghotis que eu guardei, mas não achei nenhum. Devem ter caído quando eu estava tropeçando na noite anterior. Não era sede de água... eu percebi isso de imediato. Examinei novamente meu pescoço e senti as duas perfurações.
Estava feito. Eu me tornaria um assassino asqueroso e cruel e... e... Não! Eu iria me controlar. Não sei como, mas conseguiria. Eu nunca assassinaria ninguém, mesmo sendo um vampiro. Sou muito pacífico. Gritei sozinho para a natureza assombrosa:

- Maldito Grarrl! Desgraçou a minha vida! É bom você fugir de mim, seu vampiro nojento, porque se eu te encontrar... - parei instintivamente de falar, pois, dominado pela fúria e pela sede, poderia fazer mal à qualquer inocente que cruzasse o meu caminho. Sentei nas grandes raízes de uma arvore, e ouvi novos passos. Mas não eram passos lentos, como o do monstro que me atacou. Eram passos rápidos e nervosos, parece que alguém estava fugindo de algum outro ser maligno que habitava os Bosques. Parado, eu apenas olhava na direção do som, e meus novos instintos respoderam depois de um tempinho: eu sentia cheiro de sangue, e ouvia até a respiração do indivíduo. Finalmente saiu de dentro da mata... era um jovem Kacheek.
Ele veio correndo para perto de mim e mal consegui respirar, dava pra perceber que ele queria ajuda. Minha vontade era pular sobre ele e beber todo o seu sangue, mas tentei me controlar... uma missão quase que impossível. Não resisti: agarrei o Kacheek pelo braço e corri feito uma bala pela floresta, levando ele até uma parte mais escura dos bosques. Ele achou que eu o estava salvando, por isso ficou quieto.
Assim que paramos, ele agradeceu muito:

- Obrigado cara. Eu tava andando pela floresta e comecei a ouvir uns passos esquisitos atrás de mim, sabe? Ei, bonita roupa! Parece até um vampiro. Haha.

Rapidamente olhei para as minhas vestes. Agora eu trajava uma camisa branca, uma calça roxa e tinha uma capa espetacular. Eu me lembro de ter chegado ali vestindo um short azul e uma blusa branca rasgada. Como eu mudei de roupa e não percebi? Será que foi a mordida que fez aquilo? Mas até que eu estava bem Chic. Com um olhar malvado e um sorriso maligno, eu sussurrei:

- Não só parece...

- Como assi... - só deu tempo de ele abrir a boca e eu pulei sobre ele, derrubando-o. Mordi rapidamente o pescoço dele e fui me saciando. Mesmo ele se debatendo igual à peixe recém-pescado, eu tinha ficado descomunalmente forte também, e ele não conseguiu se libertar. Os movimentos iam diminuindo, diminuindo até o Kacheek ficar totalmente imóvel, gelado como um iceberg
Ao fim, levantei e passei a mão na boca, limpando o sangue que me sujava. Olhando por alguns segundos o cadáver, logo caí na real:

- Oh... eu... eu matei ele. Eu matei ele! Sou um assassino... mereço... mereço morrer... - pus as mãos no rosto e sentei ao lado da vítima. Fiquei um bom tempo ali, parado, com as mãos no rosto, pensando no que eu teria me tornado. Levantei depois de algum tempo, arrasado e continuei meu caminho desrumado. Caminhei até anoitecer, período em que eu senti meus sentidos ficarem ainda aguçados: visão, olfato, audição... tudo. Decidi correr pela floresta enluarada, e percebi que minha velocidade praticamente quadruplicou. Depois de tanto correr, parei quando ouvi ruídos estranhos, parecidos com um bater rápido de asas um baralho distinto de garras. Procurei de onde vinha os sons, até que vi, à alguns metros de mim, a cena: um pequeno Batterfly estava sendo caçado por um Chumablah. Nessa caça, o Chumablah apoiou-se numa arvore e deu um mega pulo sobre o pequeno Batterfly, usando suas garras para ferir as asas do morceguinho e o derrubar. Assim que tudo já estava para acabar e o Chumablah ia matar o Batterfly, obviamente para se alimentar, eu atirei uma pedra sobre ele, coisa que o assustou e fez com que ele fugisse. Me aproximei do Batterfly, mas ele se afastou, ainda estava com medo. Eu acalmei ele:

- Calma amiguinho. Só quero te ajudar.

Ele grunhia, mas não recusava mais minha aproximação. Enrolei algumas folhas medicinais, que eu nem sabia que tinha pelos Bosques, junto com algumas raízes nas asas feridas, formando uma espécie de curativo. Levantei, acalmando o petpet:

- Você vai ficar bem, daqui à alguns minutos sara.

E já estava me virando para continuar meu caminho, mas ele pulou sobre os meus pés, como se quisesse que eu o levasse comigo. Peguei ele delicadamente e o protegi entre os meus braços, eu iria levá-lo comigo para todo lugar agora. Falei até isso para ele:

- Você vai ser agora meu petpet... meu amigo. E vai ter até um lindo nome... Batter! - ri baixinho, esqueci um pouco da minha realidade, admirado com o novo petpet. Ele olhou para o meu rosto e deu um pequeno sorriso. Continuei meu trajeto sem destino, agora acompanhado.

Quando o fato de eu ser um assassino não era o bastante, vem outra bomba:

- Você é um vampiro? - parei instintivamente, e arregalei o olho para ele, surpreso. Já que, geralmente petpets não falam.

- D-desde quando você fala?

- Desde sempre, ora! Mas então... você é um vampiro? - curioso, ele olhava interessado demais pra mim, esperando a resposta.

Sentei nas grandes raízes de um arvore, com uma expressão triste, baixei a cabeça, e empoleirei Batter de frente pra mim, criei coragem e respondi:

- Acho que o nome certo é assassino. - resolvi contar logo tudo pra ele, com certeza Batter não iria espalhar pra meio mundo isso. - Ontem fui mordido por um Grarrl vampiro e...

- Hmmm, Grarrl... então ele voltou a atacar. - o Batterfly interrompeu, estava pensativo, tentando lembrar de alguma informação.

- Voltou a atacar? Ele já atacou mais gente antes?

- Não só pessoas, também Neopets e até petpets! É muito conhecido por aqui, embora ninguém consiga capturá-lo ou matá-lo. Parece que se chama Grarrgula, ou algo assim. Mas prossiga.

- Prosseguir o quê? - fiquei tão perdido nos pensamentos por alguns segundos, que me perdi.

- O que você ia me dizer. Você falou 'fui mordido por um Grarrl vampiro e...'. E...?

- Ah, sim. E ontem_ .. ataquei um Kacheek... pronto, falei, não me condene!

- Ah, então você atacou ele ontem_ Pensava que tinha sido o Grarrgula. - ele me olhou com reprovação por alguns segundos, mas depois abriu um sorriso. - Tudo bem. Afinal, você é um vampiro novo, não ia conseguir se controlar. Fica só entre a gente.

- Muito obrigado. Mas... eu tava pensando... - olhei para o céu, depois para o chão. - e se eu matar o Grarrl? Serei considerado um criminoso?

O Batterfly me olhou surpreso, mas depois ficou calmo, e respondeu, desinteressado:

- Creio que não. Aquele Grarrl maligno já destruiu milhares de famílias, atacando qualquer um que cruzasse seu caminho, Você seria considerado um herói, isso sim!

- Você precisa me ajudar! - uma chama de esperança brilhou dentro de mim. Será que eu poderia me vingar e ainda virar herói? Eu sei que vingança não leva a nada, e é até ruim... mas não nesse caso. Se você sobreviver a um ataque de vampiro, não deixe ele livre por aí, mais um conselho meu... e grátis!

- Eu?! Ajudar como? Já vou avisando que não tenho vocação pra ser assassino. - ele ficou assustado com o convite, afinal um pequeno petpet não poderia matar uma criatura sanguinária como o Grarrgula.

- Não é você que vai matar ele, sou eu que vou. - isso saiu com uma naturalidade tão grande, que depois de alguns segundos até eu me assustei.
- Ah, então sendo assim... com o que você quer que eu te ajude?

- Basicamente... como eu posso caçar um vampiro se eu mesmo posso atacar qualquer um que apareça no caminho?

- Ah, quanto à isso eu tenho a solução... basta me seguir. - ele deu uns pulinhos, preparando-se para levantar voo. Ainda assim eu estava preocupado com ele, mesmo ele sendo um petpet especial:

- Tem certeza que já está 100%? Já pode mesmo voar? Não dói nada?

- Sim, já tô legal... e obrigado por me ajudar e por deixar eu ser meu amigo. - ele abriu um largo sorriso e mexeu suas anteninhas, parecia que eu era o seu primeiro amigo em toda a sua vida.

- Ah, que é isso... é isso que os amigos fazem, certo? - agarrei-o antes dele levantar voo e lhe dei um apertado. Quem disse que só porque eu tinha me tornado um vampiro eu tinha me tornado um ser sem coração? Ele passou suas asas em volta do meu pescoço, num pequeno abraço. Depois dessas demonstrações de afeto, caminhei pela relva escura, seguindo o Batter, que ia num voo perfeitamente silencioso. Parecia que estávamos andando há horas, e eu estava começando a ficar com sede novamente. E tive que reclamar:

- Estou com sede...




NEOPETS, characters, logos, names and all related indicia
are trademarks of Neopets, Inc., © 1999-2013.
® denotes Reg. US Pat. & TM Office. All rights reserved.

PRIVACY POLICY | Safety Tips | Contact Us | About Us | Press Kit
Use of this site signifies your acceptance of the Terms and Conditions