personagens

Vinguard


Thommas


Verana


Zunel


Lumia


Tranda


Lara


Hermo

contador
conter12

Iniciado dia 10/12/2014


Avisos

Como vocês devem saber, nossos heróis passarão por diversas regiões da extensa Neopia. Mesmo sabendo se virar em diversas situações, uma ajudinha nunca é demais, não é mesmo? Se você tiver algum neopet das regiões abaixo e quiser que eles participem da história, me mande um neomail ou fale comigo no xat.com/MundoNeopia.

Tyrannia: (?)
Moltara: cullen_21
Maraqua: Pyrlig
Ilha do Mistério/Geraptiku: (?)
Mundo das Fadas: (?)


Agradecimentos
marianna_hs por ceder a personagem Vinguard;
mary_scigliano_95 por ceder o personagem Thommas;
chantili_doce por ceder a personagem Lara;

Nienke's Premades pelo layout;
Impress Open Neo pelas imagens dos personagens.


Parcerias

Capítulo 1 - Desenhos

Era frio, como sempre foi, na Montanha do Terror, onde uma adorável criatura desenhava empenhada. Não era a melhor desenhista, porém se esforçava e fazia o melhor que podia.

– Mamãe, terminei! – Dizia ela sempre que acabava um de seus desenhos coloridos.

Ela desenhava de tudo, de princesas a bruxas, de sapos a príncipes, de anjos a demônios, porém sua paixão era as fadas. Sempre as admirou. Seu voo era doce e gracioso, assim como sua personalidade. Ajudaram neopianos desde que existem e amam a todos. Sua rainha era Fyora, que sempre presou a paz e o amor entre os neopianos, e assim sempre foi, sendo pacientes, cuidadosas e amorosas.

Mas não eram todas que vivam como elas, como Jhudora, a fada das trevas. Ninguém sabe sua história (talvez pelo fato de ninguém desejar conversar com ela), mas sabe-se que sua vida não fora fácil. Sofreu muito e se tornou amarga, maldosa.

Porém, junto com a mágoa vieram a força e o vício em se tornar cada vez mais poderosa. E isso se concretizava, ela ficava mais forte a cada dia, juntando aliados, exterminando inimigos. Todos sempre a temeram, e ninguém a impedia de fazer todas as atrocidades que faz, nem mesmo Fyora, a fada mais poderosa... e a rainha de todas elas.

Voltando ao desenho, a neopet que a desenhava era Vinguard, a pequena kacheek. Tinha apenas dez anos, mas sonhava muito, e o maior de seus sonhos era ser uma das suas admiradas fadas. Se alguém podia fazer isso, com certeza, era Fyora. Ela era a fada mais admirada (e poderosa, também). Imagine só, ser uma fada, pra sempre.

Quando finalmente acabou de desenhar, saiu do seu quarto, animada. Sua mãe devia ter saído, porque não havia ninguém, além de Vinguard, em casa, "Deve ter ido no Mercadinho do Iglu", pensou ela.

Ela olhou para sua boneca – uma fada do ar –, seu braço esquerdo estava rasgado. "Ah, nem é tão longe", pensou.

A pequena vestiu seu casaco e saiu para andar um pouco, estava cansada de tanto desenhar. Passou por várias lojas e uma em especial chamou atenção, Seu Chipper estava balançando seu sino para chamar a atenção dos clientes para seu carrinho de sorvete, e parece que conseguiu.

Quem compra algo tão gelado na Montanha do Terror?", se perguntou Vinguard. Continuou sua caminhada até as Cavernas de Gelo e, finalmente, chegou até o grande buraco que se projetava em uma das grandes paredes da montanha.

Passou pelos caminhos com cuidado para não escorregar.

– Olá, Vin! – Gritou Kari, a fada dos neggs, enquanto a kacheek passava por suas plantações.

– Oi, Kari! – Respondeu, com um sorriso.

A fada voou até ela e começou a falar.

– E aí, como você está? Para aonde está indo?

– Bem. Eu vou concertar minha boneca, quer ir comigo?

– Eu quero, estou em horário de almoço mesmo. Você não vai acreditar – Começou a falar em modo metralhadora. –, eu estava regando meus neggs, quando... – Vinguard estava prestando atenção em outra coisa.

Ela estava com os olhos fixos em algo dentro da caverna. A pequena kacheek estava encarando Snowager, o monstro de gelo e defensor do tesouro das Cavernas de Gelo. E assim se foram alguns minutos, até que finalmente chegaram ao fim das cavernas.

– ... e é por isso que eu falo: não deixe aqueles petpets entrarem em casa. Bem, tenho que voltar a trabalhar. Tchau, Vin. – Disse a fada, retirando a pequena do transe e se afastando com velocidade.

– Tchau...

Ficou tentada a ir até lá, mas sabia que, mesmo pela conexão que tiveram, Snowager era um monstro selvagem e faria de tudo para defender seu tesouro. Continuou para o Reparo de Brinquedos.

...

– Oi, tio Donny.

– Olá, como vai minha cliente mais fiel?

– Eu vou bem... Mas a Denise não... – e ela mostrou a boneca de pano.

– Ah, mas isso é fácil de consertar.

O bori pegou a boneca, com cuidado. Passou a de costura e seguiu um padrão que Vinguard não conseguiu acompanhar nem com os olhos. Logo, a boneca estava pronta.

– Obrigada! Quanto tenho que te pagar? – Falou ela, tirando algumas moedinhas do bolso.

– Hm... – Ele olhou para os dois lados, para ver se ninguém estava lá. – Nada, dessa vez, princesa. – E ele sorriu.

– Muito obrigada, tio Donny. – Disse ela, e, enquanto saia, deixou as únicas (e poucas) moedas que tinha no balcão, e, sem que Donny percebesse que, de alguma forma, ela pagou pelo conserto, saiu correndo.

...

– Cheguei, mamãe. – Falou a pequena neopet, batendo a porta.

Mas ninguém estava em casa. Nada, nem um bilhete. Vinguard demorou, no mínimo, uma hora e quando saiu sua mãe já não estava em casa.

Apenas um aviso. E estava lá, no primeiro lugar que a neopet procuraria.

O desenho de sua família estava rasgado em dois, em uma metade, Vinguard e sua boneca. Na outra, sua mãe.

Capítulo 2 - Ruínas

Altador sempre foi misteriosa. Sua história, suas construções, até mesmo seus moradores foram e são muito curiosos. Nos dois sentidos, na verdade, porque, se alguém queria desvendar os mistérios daquele lugar, esses eram os altadorianos.

E um altadoriano que segue exatamente essa descrição é Thommas, o wocky. Explorou cavernas, túmulos, e leu muitos livros, muitos mesmo.

Suas aventuras sempre começavam em um lugar especial: nos Arquivos Altadorianos.

– O que temos pra hoje, Finneus? – Perguntou Thommas ao arquivista.

– Hm... Deixa eu ver pra vocês. – O arquivista pegou um livro enorme, e, quando o jogou na mesa, uma nuvem de poeira envolveu os irmãos. – Reis... estátuas... barcos... aqui! Ruína.

– Como assim? – Perguntou a irmã mais nova de Thommas, Isa.

– É como um lugar destroçado. – Respondeu seu irmão mais velho.

– Aqui diz que fica entre as criaturas e a magia, abaixo da terra de Florin. Desta vez, a resolução fica com vocês, não tenho a mínima ideia do que significa. – Explicou o arquivista.

– "Magia" deve ser a "Maravilhas Mágicas", sabe, a loja de armamentos. – Explicou Thommas.

– E "criaturas" pode se referir à loja "Petpet Legendários". – Concluiu Isa.

– Vocês tem razão – disse o lenny –, e Florin era um Agricultor, ou seja...

– A ruína está no subsolo. – Disse Isa.

...

– Aqui é escuro. – Falou. Mesmo sendo inteligente como ela era, continuava sendo uma criança.

– Nós aguentaremos. O livro disse que a resposta estaria aqui dentro, devemos procurar em todos os lugares. Vamos?

– Está bem. – Disse Isa, com uma ponta de medo.

Passaram por inúmeras salas. Viram estátuas, templos e até mesmo túmulos, mas nada da tal resposta aparecer.

Na verdade nem eles mesmos sabiam o que era a "resposta", mas sabiam que tinha algo a ver com sua cidade e, talvez, com Neopia inteira. Mas, juntos, eles descobririam.

Os dois sempre foram sozinhos. Sua mãe morreu no parto de Isabela e seu pai, com medo das responsabilidades, deixou-os na porta dos Arquivos Altadorianos e os dois foram acolhidos por Finneus, o lenny arquivista. Quando já tinham idade suficiente para se aventurarem, Finneus começou a manda-los para aventuras de todos os tipos, como recuperação de artefatos, descobrimento de livros e muitas outras. No momento eles estavam centrados na história de Altador, tentando revelar sua história verdadeira, pois o Rei Altador revelava muito pouco do que aconteceu e poderia ter acontecido. Outros neopets trabalhavam em observar as constelações em busca de respostas. Na verdade Thommas não sabia como olhar para o céu poderia realmente resolver alguma coisa, mas não era para contestar que ele estava onde estava. Sua missão (e frase de efeito) sempre foi "Achar, Desvendar e Compartilhar". Sua irmã nunca entendeu o porquê de compartilhar, tanto que todos os objetos que achou estão com ela até hoje. Um exemplo deles é o amuleto que ele usa em seu pescoço. Eles o encontraram em um compartimento secreto na estátua de Torakor, o gladiador. Desde então ela não saía de perto do colar. "Ele me dá sorte", é o que falava sempre que alguém perguntava.

Passaram por mais uma porta e, finalmente, encontraram algo que podia ajudá-los.

Era uma chave. Estava em um pedestal de ouro no centro da sala. Isa se adiantou para pegá-la, mas Thommas a segurou antes.

– Pode ser uma armadilha.

– Mas... – Foi interrompido pelo olhar do irmão. – Está bem.

Continuaram pelo que parecia uma eternidade, até que acharam outra coisa que talvez fosse útil: uma porta trancada e, em seu centro, uma fechadura. Os dois sabiam como abri-la.

– Fique aqui. – Disse Thommas – Vou buscar a chave. Caso eu me perca, acenda a lanterna e faça quanto barulho conseguir.

– Tá, mas vá depressa.

– Eu prometo. – E, então, sumiu na escuridão.

Passou pelas mesmas passagens, olhou as mesmas estátuas e desviou das mesmas armadilhas e, finalmente, chegou na sala da chave. Pegou-a e, para sua surpresa, não havia nada que o impedisse de retirá-la. Voltou com o dobro de velocidade que foi.

– Não. NÃO!

E então, Thommas correu para agarrar o amuleto caído no chão.

Capítulo 3 - Estrelas

Ela sabia que isso aconteceria. Não deveria ter se apaixonado. Nunca.

Acabara de reaparecer e já havia feito o pior que podia: por sua culpa, ele tinha desaparecido. E, para completar, sua irmã estava atrás dela. Ela sabia que dessa vez não escaparia do pior.

Já tinha saído do Mundo das Fadas, agora estava nos Bosques Assombrados. Isso já era uma grande coisa. Não ia ter dificuldade de se misturar nas sombras de lá.

Ela era Verana, a kau. Sua história é misteriosa, com várias lacunas, e, pelo que parece, nem ela mesma sabe o que aconteceu.

Talvez não saiba do passado, mas o futuro ela conhecia. A profecia começou.

Ela deveria encontrar a coragem, mas quem ou o que a coragem era ela não sabia. Esses versos da profecia estavam claros. Ela estava em Altador. Era para lá que estava indo. Tinha duas opções, passar pelas geleiras ou contorna-las. O caminho poderia ser mais curto, mas não havia como Lumia, sua irmã, não a encontrar. Era melhor demorar mais e ser sigilosa do que ser mais rápida e passar por dificuldades que talvez não conseguiria contornar.

Ela estava preocupada, circulou pelos bosques por mais de uma hora e não encontrava a saída de lá. Ela devia ir por sul e provavelmente passaria pelo deserto. Não sabia se já conseguia viajar pelas sombras, mas não arriscaria. Poderia por tudo a perder.

Não aguentaria andar assim por muito tempo. Já havia recebido muitos danos de Lumia e podia sentir sua presença cada vez mais perto. Até que...

– Hahahahahaha! – Uma gargalhada cortou os bosques silenciosos. – Você acha que pode mesmo se esconder de mim, irmã?

Agora Verana estava na ponta de uma clareira. Sua irmã, na outra ponta, quase irradiava mais luz do que a própria Lua. A força de Verana estava se esgotando e se fosse para gasta-la teria de ser com algo que realmente dominasse sua irmã.

– Eu sabia que não, e estava esperando por isso. – Mentiu. – Regnante umbrae!

As sombras das árvores deslizaram no chão, como cobras e, quando se encontraram no centro da clareira, pularam do chão e tomaram forma. Elas se transformaram em um monstro enorme, sem forma definida. Mesma cansada a ponto de cair, ela estava pronta para lutar.

– Esse mesmo truque velho, irmã? – Disse Lumia.

– É o que sempre funcionou. – Respondeu, quase sem folego.

– Ou o único que você sabe.

A luz da Lua (e a que partia de seu próprio corpo) se concentrou na palma de Lumia e, com um sopro, ela partiu com uma velocidade absurda para o corpo do gigante. Verana gritou e a fera se desintegrou. As sombras voltaram para as árvores.

– Minha vez. – Disse, se recuperando – Regnante umbrae!

Ela usou mais algumas sombras, inclusive a sua. Agora se formaram três esferas. Uma delas se juntou aos pés de Lumia e subia pelo seu corpo e cobrindo-a, só deixando seu rosto liberado e tapando toda a luz que irradiava de seu corpo. A segunda se formou em uma espécie de nuvem escura que acompanhava os movimentos de Lumia, tapando a luz da Lua que tivera contato com ela. E, finalmente, a terceira fechou a tal nuvem com barras verticais. Verana fizera uma prisão, e, sem o contato da luz, Lumia teria dificuldades para sair.

Lumia começou a falar, mas antes que pronunciasse um encantamento, Verana tapou sua boca com a sombra que a envolvia. A neopet correu pelo bosque com a força que sobrava, continuando seu trajeto. Ela sabia que a cela não seguraria Lumia por muito tempo.

Lumia não era sua irmã diretamente, ela só recebera energia do mesmo lugar que Verana. Nunca se entenderam muito bem, talvez por terem energias totalmente opostas. Na antiguidade, a luz e a sombra batalharam. Elas estavam cansadas de dividir o tempo em dois (a noite e o dia). A Luz, cansada de dividir o poder com as trevas, tentou engana-la e mata-la, porém, o que não sabia era que, se a sombra morre, a luz também se vai. Não conseguiu mata-la e, em resposta, a sombra propôs uma batalha, a vencedora teria parte de seu poder no tempo da outra. A Luz venceu e, assim, a Lua e as estrelas nasceram. Era uma forma da luz viver mesmo a noite. Com ódio por ter perdido, a sombra não aguentou e matou a luz. Na verdade, as duas morreram. Quando um espírito morre, ele descarrega suas energias em outro lugar, coisa, ou ser vivo. As escolhidas foram Verana e Lumia. As duas batalharam por muito tempo para decidir quem era a mais poderosa, após algum tempo de pura guerra entre as duas, Verana adormeceu por anos. Ninguém sabe o que aconteceu.

Durante esses anos, Lumia treinou incansavelmente e alcançou uma força que nunca imaginou ter. Não descansará até derrotar sua "irmã". Para somar a tudo isso, a profecia temida se iniciou, e Verana tem muito a fazer enquanto isso. Encontrar os outros enviados. Coragem, Sabedoria, Calma e a Verdade. Parte dela foi deduzida, mas era uma parte mínima. A única coisa que sabia era que a Coragem estava em Altador. Mas e os outros? De uma coisa ela sabia: não esperaria até que as respostas chegassem até ela. Ela batalharia até encontrá-las.

Ao menos sabia aonde ir agora. Não seria difícil chegar ao Deserto Perdido. O problema era sair dele. Eram mais de quatro quilômetros de puro deserto e de pura areia, em outras palavras, nada de sombras de dia.

Mas uma coisa de cada vez. Agora tinha que se preocupar com Lumia. Pelo menos tinha como saber quando ela se soltar e, pelo que parece, ela demoraria mais um pouco.

Quando se deu conta, o Sol já nascia e clareava o céu. Por quanto tempo ela estava fugindo? Bem, isso não importava. O que importava era que, finalmente, já via o final dos bosques, não demoraria tanto para chegar. Talvez um ou dois quilômetros? Nada comparado ao que ela já havia andado.

O sinal que temia chegou. Sua sombra voltou, rastejando para seus pés. Quando fez a "prisão" para Lumia, usou sua própria sombra, então, quando ela a destruísse, a sombra de Verana voltaria para seu corpo.

Ela corria como nunca, mesmo estando extremamente cansada, a ponto de desmaiar.

– Você conseguiu me atrasar. E muito. Mas não se preocupe, a palhaçada terminará aqui. – A voz soou em sua cabeça.

Ela já via o Deserto Perdido a frente, na verdade, Sakhmet – uma das divisões territoriais de lá.

O pior de tudo: a luz do sol brilhava forte e não havia nenhuma nuvem no céu que pudesse tapa-lo. Os poderes de Lumia estavam mais fortes que nunca.

Capítulo 4 - Pensamentos

Um ótimo lugar para meditar? Shenkuu.

Lindos jardins, ambientes extremamente calmos e a paz dos neopets que lá vivem. Mas isso está mudado hoje em dia. Mesmo que não saibam de tudo sobre a profecia, os habitantes de Shenkuu sentiam o ar pesar em sua volta.

Um deles era Wise, o sábio gnorbu. Sem dúvida, um dos mais inteligentes de Shenkuu e, talvez, de toda Neopia. Ele sabia o que aconteceria, e se odiaria se contasse para alguém. Também tinha medo, não só por ele, mas por todos os outros envolvidos.

Era algo horrível. Nem ele, nem ninguém poderia evita-lo. Somente o enfraquecer. Era no que estava trabalhando.

– Cheguei, mestre – Disse um jovem ruki, entrando no templo. – Desculpe a demora, é que, enquanto estava vindo...

– Sem problemas.

O ruki pareceu não entender. Geralmente o mestre ficava chateado quando ele demorava.

– Oi?

– Oi. – Respondeu o mestre, sem entender. – Como vai?

– Não era o que eu queria dizer, mas eu vou bem. O que vamos fazer hoje?

– "O que eu vou fazer hoje", você quis dizer.

– Você entendeu.

– Bem, como você sabe, você passou por duas fazes, a física e a da razão, Artes Marciais e Enigmas. Agora só resta uma. A Meditação.

– Ah, não! Eu não suporto meditar.

– Mas você deverá aprender.

– Mas, mestre...

– Um dia você passou por essa porta dizendo que gostaria de se tornar um guerreiro. A meditação é uma coisa forte. Você deverá aprender. Eu não posso te obrigar a nada. Se você não quiser meditar, pode sair do templo e não voltar tão cedo.

Dessa vez ele pegou pesado" pensou ele.

– Então eu meditarei. – respondeu.

...

– Chegamos.

– Mas, hum... Onde estamos?

– Corredeiras de Shenkuu.

– Mas aqui não é onde praticam esportes?

– Também. As vezes os sábios e os esportistas fazem acordos. Esse é dia de meditação.

– Mas, mestre... Eu não sei como fazer, quer dizer, eu não sei o que fazer.

– Isso é o de menos, Zunel. Você deve se concentrar no que quer saber. No que te faz relaxar. No que te acalma. Se desligue do mundo exterior. Pense só no que tem dentro de você.

– Está bem, vou tentar.

Zunel se sentou em uma pedra na margem do rio. Não havia barulho, somente a da água batendo nas pedras, o que o ajudou a esvaziar a mente.

Se passaram muitos minutos e nada. Nem um sinal. Talvez ele não estivesse fazendo direito. "Como vou fazer para parar de pensar?" pensou ele, o que foi um tanto contraditório. Ele devia estar se concentrando demais no rio. Mas no que se concentrar, então? Isso era uma verdadeira batalha contra si mesmo.

Até que, finalmente, ele não ouvia mais nada. Nem o som da água na corredeira. Na verdade, nem via. Ele estava na completa escuridão. Até que um som invadiu sua mente. Uma música. Um canto. Ele podia sentir seu próprio corpo, agora. Estava caminhando na direção da melodia. A cada passo seu corpo se afundava no chão. A canção ficava cada vez mais alta, até que Zunel percebeu que quem cantava estava na sua frente. Ele adiantou sua mãe para toca-la, mas não conseguiu. Era como se não fosse material. E então perguntou:

– Quem é você? – A música cessou.

– A pergunta é: quem você acha que é para entrar nos meus domínios?

– Seus domínios? Essa é minha mente! Pelo menos eu acho...

– Responda a pergunta. – Falou a voz.

– Eu sou Zunel e, não sei se você não ouviu, essa é minha imaginação.

Ouviu-se uma risadinha. Um clarão invadiu os olhos de Zunel e, logo após isso, pode ver onde estava. Parecia o Mundo das Fadas antigo, na verdade sua estrutura parecia a mesma. Ele andava nas nuvens alaranjadas. Um rio cortava o local. Moinhos estavam rodando freneticamente. Além do lugar, existia mais beleza naquele lugar.

– Bom, agora você vê. Um dia você imaginou esse lugar? Um dia visitou esse lugar? Acho que não. Eu tenho cuidado daqui. Eu tenho vivido aqui. Esse território é meu.

Quem falava era uma Mynci. Era realmente linda. Não porque sua maquiagem estava em perfeito estado nem nada disso. Era bonita de verdade. Seus cabelos eram pretos. As vezes, de tão escuros, ficavam roxos, da mesma cor de seus olhos.

Usava um vestido rosa que combinava perfeitamente com sua tiara e com o leque que segurava em sua mão. Ela não era jovem, mas também não velha. Devia ter quanto? Uns 35 anos...

Continuou andando em direção de Zunel, mantendo a postura.

– Responda, o que está fazendo aqui?

– Eu... Eu não sei. Estava meditando e, de repente, apareci aqui.

Ela olhou fixamente para ele, tentando descobrir se estava mentindo.

– Bem, não me apresentei. Sou Tranda, a segunda guardiã de Shenkuu.

...

Tranda o guiou para dentro de sua casa. Era bem espaçosa. As paredes eram feitas de mármore altadoriano, branco como uma pérola. O piso continuava sendo de nuvens, mas regulares e planas. Ela o levou para um cômodo com paredes de vidro, com vista para o lindo rio. Existia uma pequena mesa e duas cadeiras na sala. Uma bandeja com chá e xicaras estava sobre a mesa.

– Não é sempre que tenho visitas. Sente-se, por favor. – Disse Tranda, já se sentando em outra cadeira.

– Obrigado, Tranda. Posso fazer uma pergunta?

– É claro.

– Qual é a desse lugar? Quer dizer, nunca ouvi falar dele. E, do jeito que você disse, deve ser em Shenkuu.

– O nome é Somnia. Não fica só em Shenkuu, na verdade. Somnia está em todos os lugares e, ao mesmo tempo, em lugar nenhum. Ela está onde chamam, mas não sei quem a chamou dessa vez. No começo achei que fosse você, mas...

– Eu nem sabia que isso existia. – Disse, ainda pensando.

– É por isso que não acho que tenha sido você. – Falou, se explicando.

– E por quanto tempo você vive no "todo lugar e lugar nenhum"?

– Vamos dizer que por bastante tempo.

– Posso voltar um dia?

– Isso é um interrogatório? – Disse ela com um sorriso doce. – É claro que pode, se você conseguir, alias. Quer fazer mais uma pergunta? – Falou, brincando.

– Na verdade, quero. Você disse que é a segunda guardiã...

– Entendi aonde você quer chegar. Acho que isso não vem ao caso. Um dia você saberá, e com clareza, na verdade. Mas agora...

Tudo se apagou, assim como na hora que chegara. Só ouvia o canto de Tranda. E, então abriu seus olhos.

Já anoitecera, em Shenkuu. Não sabia o que tinha acontecido com os outros neopets que meditavam. Levantou e foi caminhando até o Templo Lunar.

– Olá, mestre.

– Estava meditando até agora? – Falou, desconfiado.

– Sim, algum problema?

– Não. – Falou, sorrindo. Ele sabia que não mentiria tão descaradamente.

Ele estava lendo um exemplar de "Fases da Lua". Era o único livro que ele lera. Já devia estar da centésima vez que o lia, mas não deveria ter cansado.

– Só vim para avisar que eu terminei. Vou voltar para casa agora. – Disse Zunel, emendando um bocejo. – Estou com sono.

Parece que não, mas meditar cansa.

...

Zunel voltava todos os dias para meditar e sempre acabava indo para Somnia. Conversava e se divertia com Tranda e não resistia a sensação de voltar para a terra dos Sonhos. Ele também pensava em sua amiga. Devia ser tão chato viver sozinha por tanto tempo. Wise já estava preocupado. A profecia estava se concretizando, porém não havia forma melhor de terminá-la se não indo até o fim.

Passou-se uma semana da primeira vez que visitara o local e passou um bom tempo sem ir, após isso.

Um motivo?

Zunel fez sua mesma caminhada para ir para o mesmo lugar, fazer o habitual. Chegou lá e se sentou sobre as pedras úmidas. Fechou os olhos, se concentrou e acordou em Somnia. Dessa vez os dois eles nadaram no rio.

Depois de horas se divertindo e nadando, Zunel finalmente se despediu.

Chegou no Templo Lunar para avisar seu Mestre que havia terminado a meditação. Ele não estava sentado na sua cadeira. Apenas o livro estava jogado na cadeira. Procurou no Templo e em todos os lugares ao arredor, mas não o achou. Finalmente se cansou. "Ele sabe se cuidar". Quando voltava para casa, passou na frente do Templo, novamente. "Talvez ele já tenha voltado". Nada. O livro estava no mesmo lugar.

– O que será que tem nesse livro? – Se perguntou.

Se adiantou para pegá-lo, porém, quando o agarrou sua capa, o livro escorregou dela, caindo no chão. A capa era falsa. Não era a verdadeira. Servia somente para esconder o livro. Ele o pegou no chão. Sua capa era familiar. Na verdade muito.

A capa era o desenho exato de um lugar bem conhecido de Zunel... Somnia!

Ele abriu o livro. Muitas paginas ainda estavam em branco. Algumas com rabiscos e rascunhos de Wise. Folheou o livro até que uma pagina o chamou atenção.

Suas palavras trocavam de cor. O texto tinha um formato diferente. Parecia...

– Uma profecia.

Capítulo 5 - Apresentações

Ninguém é mau o tempo todo. Todos tem seu momento bom e, consequentemente, o de má fé. É claro que tudo em excesso é ruim, mas um pouquinho de mal não faz tão mal assim. Realmente, isso é contraditório. E, o que é mais óbvio ainda, ninguém é mau porque simplesmente quis ser. Todo mundo tem um motivo para ser como é e, se não tiver, esse alguém nunca viveu de verdade. Todos, todos, têm sua história de vida, por mais trágica ou bela que ela for, as pessoas carregam sequelas. E, algumas, carregam até mais do que deveria.

— Queridas discípulas — disse a voz arrogante (e, ao mesmo tempo, sensual. —, fazia muito tempo que não convocava uma reunião com todas vocês, desde a Ruína das Fadas, na verdade. Por mais que todas devem estar muito bem informadas, vou explicar o que está acontecendo: as antigas forças estão tomando força. Nossa velha amiga pode se curar, se não fizermos nada. — as mulheres-morcego que estavam na plateia cochicharam. — Não se preocupem, tudo está a nosso favor. Essa é uma profecia velha. Sempre soubemos que iria acontecer, mais cedo ou mais tarde. Mesmo assim, não podemos deixar com que apenas o destino tome conta dos quatro enviados. Eu com ajuda das minhas novas e fiéis ajudantes, Malícia, Desrespeito e Vaidade, escolhemos os quatro melhores guerreiros de toda a Neopia para nos ajudar. Não acho nada mais justo que apresentá-los a vocês, que terão um forte papel na nossa vitória.

Existiam centenas — ou milhares — de fadas escutando as palavras da líder. Todas elas estavam vestidas com capas e capuzes pretos, que escondiam grande parte de seu rosto. O espaço era enorme. Ele era dividido em dois. A primeira parte era um grande e plano terreno de nuvens escuras, onde todas as fadas ouvintes ficavam. A segunda parte, que era bem menor, era mais alta que a outra e era feita do mesmo material — como um palco. Apenas sua líder e ajudante ficavam nele. A ajudante sempre imóvel e sem expressão ao lado da líder. O lugar possuía inúmeros pilares de sustentação. Muitos enrolados com faixas roxas e verdes, nos pilares sem faixas era possível ver que eram feitos de pedras preciosas, como a esmeralda. O ambiente era muito escuro, as únicas fontes de luminosidade eram cinco focos de luz branca que se projetavam no palco. Um deles — o maior — no centro do palco, onde a líder discursava. Os outros quatro se punham no fundo do palco, um ao lado do outro. Havia uma porta de ferro em uma das extremidades do palco.

— Chamarei agora a melhor química de Poções e Venenos. Ela veio direto da Ilha Roo. Um dia seus poderes foram comparados aos da própria Kauvara! Lara, o veneno.

Uma figura escura se movimentou no palco. Quando chegou ao maior foco de luz, ao lado da anunciante, sua imagem pode ser vista. Ela era realmente espantosa. Seus olhos brilhavam em um verde muito forte. Tinha garras enormes e pretas nas mãos e nos pés. Seus dentes eram afiados. Ela usava um vestido cinza, da mesma cor de seu cabelo. Um cinto de couro se sobressaia sobre o vestido, onde se punham várias poções de todas as cores.

— Acho que todas vocês já foram alvo de provocações apenas por ser o que são, afinal, são fadas das trevas. Sempre sofri dessa forma. Nunca me aceitaram. Porém, em uma coisa, ao menos, eu era melhor que todos os outros. Eu fabricava poções e, assim, me fortaleci. Estou aqui para provar que todos, até os feios ou mal compreendidos, tem seu direito de brilhar.

Foi muito aplaudida enquanto ia para o fundo do palco, para se posicionar em um dos menores focos-de-luz. Aquilo que ela falara realmente fazia sentido. Todas as fadas das trevas foram, ao menos um dia, mal compreendidas.

— Todas nós gostamos do seu discurso, Lara. Muito obrigada. — Falou. — Agora convido um dos mais ágeis e sorrateiros ladrões que Neopia já viu. Foi treinado pelo próprio Kanrik, o mestre dos ladrões, e foi seu braço direito por toda a Guerra do Obelisco. Hermo, a agilidade.

Outra figura entrou no palco. Quando chegou no foco-de-luz principal que se pode o ver com clareza. Ele vestia uma touca preta que encobrir seu rosto. Sua roupa era verde. Seus olhos quase nunca piscavam, como se em qualquer segundo pudesse ser atacado.

Quando chegou no centro do palco, se virou para o público e reverenciou, sem dizer nada. Parecia que tinha sido treinado para não falar. Logo após isso, foi até o focos-de-luz que estava ao lado do de Lara. Também foi aplaudido, mas não tanto quanto Lara.

A líder assentiu Hermo e voltou a falar.

— Agora chamamos uma das melhores magas elementais. Por mais que esse elemento não seja o nosso proferido, nossas metas são. Chamo agora, Lumia, o brilho.

Dessa vez dava para vê-la com clareza desde que entrara. Ela irradiava tanta luz que todos desviaram os olhares quando entrou. Quando chegou ao foco-de-luz ninguém olhava para ela.

— Passei muito tempo treinando para em o momento que isso chegaria. Minha velha companheira agora faz parte de tudo isso e, depois de anos de caça, não pude resistir ao convite de me unir a uma equipe treinada. Sempre tive certeza que o dia de detê-la chegaria, e chegou. Nós estamos aqui para vencer, venceremos. Até a própria profecia está do nosso lado! — na menção dela, todos ficaram nervosos.

Ninguém a aplaudiu — talvez pelo que falara, talvez pelo elemento que representava —, até que um olhar mortal irradiou dos olhos da líder e foi para a plateia. Elas nunca aplaudiram tanto.

Com um sorriso, ela passou pela líder e foi direto para o terceiro foco de luz. Na verdade, ela nem precisava disso. A líder voltou a falar.

— Agora, por ultimo, mas não menos importante, chamo alguém que foi de grande perigo para uma nação inteira, até o ponto de que foi preciso a isolar. Nossas melhores feiticeiras se esforçaram muito para quebrar a barreira que a prendia. Agora ela está aqui, mesmo que por meditação. Tranda, a isolada!

Ela entrou, sorrateiramente. Não era mais a mesma. Ela tinha uma expressão de superioridade no rosto, mas continuava bonita do mesmo jeito. Ela chegou ao centro e começou a falar. Sua voz era muito bonita, mas cheia de mágoa.

— Meu passado não é dos melhores, mas não fiquei má simplesmente porque decidi ser assim. Vários fatores decidiram por mim. Minha história não vem ao caso agora, mas sofri o suficiente pra saber o que é o melhor pra mim. Nesse momento estou me juntando a vocês por isso. Cansei de não ter o meu reconhecimento. Cansei de tudo isso.

Também foi aplaudida. Ela se posicionou no quarto foco-de-luz.

— Essa é a nossa equipe. — falou a líder — imagino que ninguém aqui tem algo contra. — falou, passando os olhos para a plateia, procurando qualquer sinal de desaprovação. — Vocês estão dispensadas.

Todas as fadas, inclusive a ajudante, voaram pelo portão de ferro que se abrira atrás delas. Só ficaram cinco pessoas lá dentro.

— Lara, Hermo, Lumia, Tranda. Acho que, quando aceitaram a oferta, pensaram em tudo que passarão nessa viagem. Ameaças, perseguições, enigmas. Tudo isso estará presente. Nós selecionamos vocês por algum motivo. Acreditamos que vocês conseguirão, só falta vocês mesmos acreditarem. E então?

Todos eles, por um momento, se calaram. Pareciam pensativos. Até que...

— Acho que nós sabemos que não temos como perder e, com o incentivo de nossa líder, nós teremos, além do poder, muita força de vontade. — Falou Tranda, para os colegas, tentando incentivá-los.

Todos eles assentiram, sorrindo de modo maléfico.

...

— Essa é a sala de pertences mágicos. — Falou a líder — Também são muito valiosos. Cada um pode escolher um deles. O resto do pagamento... Acho que vocês não se importariam de receber mais tarde. — Sorriu.