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Capítulo 1- Sangue na neve


Eu morava com meus pais em uma casa simples. O ambiente sempre era de grande alegria, mas logo toda essa alegria se transformou em lembranças. Minhas piores recordações se iniciaram com o sangue pigando na neve enquanto os meus pais morriam ao tentar me defender. Foi quando eu senti um tiro atingir minhas costas e desmaiei na neve suja de sangue. A parte mais curiosa foi que eu não morri, pois fui salva por uma doce e gentil mulher.
- Mamãe, mamãe! Tem sangue na neve mamãe, sangue na neve, sangue na neve! - gritava me contorcendo e suando.
- Querida, está tudo bem? Isso é só um pesadelo, acorde. - dizia a doce mulher me dando tapinhas leves.
- Mamãe! - gritei ao acordar e me assustei ao ver que não era a mesma.
- Minha querida, sua mãe faleceu por conta dos caçadores de vampiros, eu sinto muito... Eles realmente não tem coração.
- Não, não é verdade. Tudo aquilo que vi foi um pesadelo, só pode ter sido um pesadelo, foi um pesadelo. - me levantei de uma vez da cama e comecei a gritar pelos meus pais e finalmente percebi que tudo o que ocorreu foi realmente reau.
- Eu sei que isso é muito doloroso pra você minha querida, mas eu sempre estarei aqui do seu lado pra te ajudar. - disse ela me abraçando.
- Como eu sobrevivi? Porque os caçadores não me mataram também? - eu perguntava abraçando a senhora e deixando minhas lágrimas rolarem. Sentia uma dor imensa em minhas costas e minha roupa havia sido trocada por outra, pois a mesma estava suja de sangue.
- Bem, eu fiz de tudo pra te levar nos braços até aqui e consegui.
- Vo-você também é vampira? - perguntei soluçando.
- Não querida, não sou. Mas não concordo com a crueldade dos humanos que decidiram exterminar os vampiros do planeta. Se é que posso chamar estas pessoas de humanos.
Fiquei em silêncio chorando e me perguntando porque tudo tinha que ser assim. Não, aquilo não poderia ser real. De jeito nenhum, todas as lembranças que eu tinha dos meus pais comigo eram muito raras para serem perdidas em um mar de sangue. Olhei para cama grande em que eu estava deitada, era realmente muito luxuosa. A casa daquela senhora realmente era cheia de riquezas. As paredes eram pintadas de azul claro e os objetos eram, praticamente, todos de ouro.
Minhas lágrimas iam dos meus olhos até o final da minha face e rolavam pelo resto do meu corpo me fazendo sentir calafrios. De repente vi a parede mudar de azul para vermelho. O vermelho do sangue dos meus pais que ainda me encharcava de dor naquela noite.

Feita para matar

Acordei naquele quarto luxuoso e escutei aquela doce mulher que me acolhera brigar com um homem. Quem será que era aquela pessoa? E por que será que eles brigavam tanto? Foi quando me aproximei um pouco para escutar o que estava acontecendo e me senti congelando.
- Como você trás uma vampira pra cá? Ficou louca de vez Hadlla?
- Sei que sabe muito bem o quanto é injusto o que fazem com os vampiros de hoje em dia, mesmo que alguns como essa doce jovem tentem não fazer mal. E esta casa também é minha!
- Ah, é? E os seus filhos? Você não se importa se eles forem assassinados por uma vampirinha jovem e patética? Eu sinto nojo de você a deixar dormir aqui, francamente Hadlla...
A campainha tocou e a doce mulher foi atender a porta. Eram seus filhos: Uma menino que parecia não ter menos que cinco anos de idade e sua irmã que parecia ter dezesseis anos.
- Tá tudo bem aqui? Escutei uns gritos. -afirmou a jovem.
- Sua mãe convidou uma vampira nojentinha pra ficar conosco. Não é perfeito? Agora realmente seremos uma família feliz! - disse o homem com sarcasmo.
Senti uma imensa dor no meu estômago e corri ao banheiro. Comecei a suar e uma voz insuportável gritava em minha mente: "Todos eles te odeiam, eles te odeiam! Todos, todos eles!". Olhei-me no espelho e vi meus olhos mudarem de castanhos para vermelhos. O que estava acontecendo comigo? Senti o ódio aumentar à medida que minha sede por sangue se tornava insuportável.
- O que está acontecendo? - gritou o pai em direção ao banheiro. - A nojentinha acordou foi? Pode sair do meu banheiro e da minha casa sua hipócrita.
Abri a porta com força sem pensar duas vezes e aguarrei-o de forma que o mesmo caiu no chão. Bebi seu sangue.
- O que está fazendo? Saia daqui! - gritava ele tentando me bater, mas a minha força era inconparável e a sede incontrolável.
- Você foi feita só pra isso, você por acaso é vestida para matar? Sua...
E foi naquele momento que senti o sangue dele ficar frio e sem gosto, beber o sangue até a morte da pessoa era algo realmente inevitável. Olhei para a mulher que me acolhera e seus filhos. A mesma estava com uma arma. O gatilho seria puxado mas corri até ela com uma velocidade imensa... Corpos caídos no chão e sangue em minha mão. Sangue por toda parte.
- Todos, todos! Eu matei todos eles! - gritei chorando.
Me ajoelhei no chão e comecei a chorar. Me perguntei se alguém um dia me aceitaria pelo o que eu era, mas as esperanças já não eram existentes. Eu teria que me mudar da França para Londres. Pois eu não tinha opção, já que eu sabei que havia sido vestida para matar e os humanos para fazer o mesmo comigo. Eu sabia que se eu ficasse lá seria pega mais facilmente após cometer quatro assassinatos. Levantei-me sentindo o meu corpo tremer e fui em direção ao banheiro para me lavar e depois começar minha longa jornada.



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