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Eu só podia estar no inferno, mas eu não me importava, não me importava com nada; agora que a morte já havia me levado, ou então eu estava louca; só podia ser isso.
Meu corpo ainda latejava e eu me perguntava vagamente se no inferno ainda existia dor. Se toda a dor que eu havia passado nos últimos segundos de minha vida já não me fora suficiente.
E, por que não havia ninguém? O inferno era quente, aconchegante, convidativo demais, quente demais. Como se eu tivesse corpo eu me levantei, a mesma mão invisível me segurou e disse baixinho, com o calor da voz bem perto de meu rosto, hei, acalme-se, com cuidado.
Certo, agora eu estava oficialmente louca, a claridade entrava por meus olhos, mas não pareciam se focar era como se eu estivesse cega, a única coisa que eu processava era luz, somente luz.
Por um momento cheguei a lembrar que se eu podia ouvir, eu podia falar; só que eu não me lembrava de como fazer isso, mas como se diz, algumas tentativas podem dar certo.
— Como eu cheguei aqui?
— Você estava correndo na floresta, fugindo de alguém com uma menina pequena; ela está lá na árvore, brincando. – as palavras me lembravam de algo que eu não conseguia identificar tão facilmente, era como se uma parte da minha vida tivesse sido apagada é
como se eu não precisasse me lembrar.
— Oh, certo. – eu tentei me levantar, de novo.
— Você é teimosa garota – eu quase encostei o pé no chão, mas a dor – que eu conhecia tão bem – me invadiu de novo e eu arfei. – você quebrou o pé quando desmaiou em meus braços e devo lhe dizer que não sei como isso pode acontecer e que se foi por culpa minha peço desculpas. – ele me agarrou, o corpo quente bem perto do meu, e me colocou na cama, forrada por palha. Ele se virou e foi saindo.
— Aonde vai, por favor, não me deixe sozinha! – minha voz era agonizante, eu não me conhecia, parte da minha identidade havia sido roubada.
— Não vou lhe deixar sozinha, ó minha donzela – riu ele – só vou pegar pão e leite ali no armazém para que você possa comer.
— Olha, viu, não precisa, eu tenho algumas moedas no bolso do meu casaco, eu, me deixe ir... – tentei segurar em algo que estava por perto, mas tudo ali parecia tão invisível quanto à mão. Resolvi ir pulando, o pé
— Majestade, majestade... – eram as mesmas coisas, "Majestade, ó majestade!", atravessar a rua, uma tarefa que parecia fácil, foi se tornando cada vez mais difícil, e a situação só pioraria.
Quando finalmente conseguimos entrar no armazém e fechar todas as portas, porque a aglomeração do lado de fora era enorme, um senhor velho, de olhos cinza claro, barba comprida e do mesmo tom dos olhos, careca; veio me implorar para que não fizesse nada com ele.
Instantaneamente, olhei para o garoto do meu lado.
Provável, ele entendeu que eu queria que ele me soltasse, enquanto eu, apenas, procurava uma ajuda.
— Não me solte – eu disse. Minha voz estava fina demais, sabia que ia me resfriar.
— Ela não vai lhe fazer nada, é só servir um pão com leite.
— Oh, sim, senhor, senhora...
— Senhorita – corrigi-lhe.
— Oh, sim senhorita, mil perdões Majestade, mil perdões... – ele foi saindo e se inclinando para trás numa espécie de reverencia desajeitada e medrosa.
— Ele é sempre assim? – eu perguntei, aguardando por uma resposta convincente.
— Normalmente não, mas quando se fala de realeza, Majestade, ele fica assim...
— Você também não! Por favor! O vilarejo inteiro já está me chamando assim e, além disso, não sei se serei eu mesma a assumir o trono.
— É melhor você concordar, todos já se acostumaram a te chamar de majestade. – riu ele.
O senhor velho colocou o pão e o leite puro em cima do balcão de madeira desgastada, ofereceu-me um banquinho e eu fui mancando com a ajuda do garoto cujo nome eu não sabia.
— Obrigada, eu agradeci maneando a cabeça com cuidado e agarrando a tigela de barro onde estava o pão mal conservado junto com o copo de barro com o leite.
Eu tomei todo o leite, e digeri metade do pão antes de ouvir um grito de voz tão familiar que engasguei com o pão.
— Tata! Tatá! – gritava a voz chorosa e insistente.
— É a minha irmã! – eu gritei, pulando do banquinho alto.
— Ei, cuidado – disse o garoto, e logo foi seguido pelo velho.
— Me deixe, eu sei andar! – eu disse me irritando de repente, como se tudo de bom tivesse se transformado em uma nuvem de poeira.
— Lívia – eu gritei devagar, as pessoas se ajoelharam bruscamente.
— Tata! Tatá! – disse minha irmã, descendo da arvore em qual estava, uma senhora de cabelos escuros não conseguira se abaixar a tempo e encolheu-se quando eu me aproximei apenas para pegar minha irmã e levá-la para dentro da casa mal feita.
— Por favor, - disse a voz cortada e rouca da mulher de idade – me perdoe Majestade, eu não fiz por mal, eu estou muito velha e... – eu apenas sorri. Um sorriso sincero.
— Não há problema, podem se levantar. – muitos deles hesitaram, vendo que a maioria deles não se levantavam eu fiz sinal para o garoto, que estava com o velho homem atrás dele.
— Vocês não ouviram – gritou o garoto – vossa Majestade mandou que se levantassem. Levantem-se. – a população do vilarejo foi pouco a pouco me encobrindo com sua altura, eles sempre olhavam para o chão. Nenhum deles ousava me encarar.
Eu chamei com o dedo o garoto, a multidão abriu espaço para que ele passasse.
— Como é seu nome mesmo? – eu perguntei, aguardando de repente impaciente.
— Ian, vossa Majestade. – respondeu ele com voz grossa e quente, que bateu em meu pescoço enquanto eu o encarava.
— Diga-me, Ian, eu conheço você. Tenho a sensação de que conheço, você era algum guardião de meu pai? – eu disse com voz trêmula ao me lembrar de que eu era responsável por tudo.
— Na verdade, vossa Majestade, eu era um grande amigo de seu pai, e por hora o mais jovem "protetor" das jovens filhas do Rei Thalis...
— Ó Deus, salve Rei Thalis em seus refúgios. – responderam as pessoas que escutavam a conversa e foram seguidas pelas mais distantes.
— E, caso a vossa Majestade ainda precise de meus serviços eu ficaria honrado em servi-la. – disse ele se inclinando vagamente em minha direção.
— Muito obrigada Sir. Ian. – disse eu, com voz segura. – Digo, não só por hoje, mas por ter salvo a minha vida.
— Era só o que eu podia fazer, Majestade. Eu falhei uma vez com vosso pai e com vossa mãe, não poderia falhar contigo. – disse ele abaixando a cabeça como se se desculpasse.
— Mesmo assim agradeço Sir. Ian, se não fosse o senhor eu não seria mais nada e não teria a quem confiar à vida de minha irmã, até que ela pudesse se tornar uma mulher e decidir por si mesma os cavalheiros que a defenderiam com a espada. – eu ri, com o rosto corado.
— O que desejo é só sua graditão Majestade. – ele disse se inclinando novamente. Lívia, em meu colo, alheia a conversa, estava se escondendo em meu cabelo tentando pegar algumas borboletas que voavam ao redor. Ela fez uma força incrível e quase caiu de meu colo, eu me desequilibrei para pegá-la quase indo ao chão também. Sir. Ian me segurou pela cintura fortemente, puxando-me para seu peito. Eu ergui a cabeça em seu peito, inalando o doce perfume que vinha de seu corpo, olhando chocada para ele, que me soltou logo em seguida. Os olhos castanhos cor de mel eram um misto de desculpas e um pouco de felicidade.
Aquele foi o primeiro momento, depois de horas de terror que eu me senti segura. Segura nos braços de um garoto de dezoito anos, o garoto que fora destinado a me proteger em especial. Que deveria ter crescido comigo, correndo pelo palácio real. Que deveria ter sido um grande amigo meu, a não se pelas barreiras da alta sociedade, que estavam se quebrando com aquela proximidade tão repentina.
— Perdão Majestade, eu sinto muito, perdão!
— Não há problema Sir. Ian – as pessoas ao meu redor já estavam perambulando e voltando aos seus afazeres, quando olhei em volto e tudo parou novamente. – será que nós poderíamos ter essa conversa em um lugar mais apropriado? – eu cogitei.
— Claro Majestade. – disse ele aquiescendo e apoiando meu corpo em seu ombro novamente.
— Sir. Ian, - eu disse rindo – pare de me chamar de Majestade. Eu não tenho nem dezessete anos. – eu disse me soltando de seu corpo e olhando severamente para ele.
— Só se vossa Majestade pare de me chamar de Sir. Ian. Eu deveria ser tratado como um simples serviçal. – disse ele me ajudando a sentar na cama de palha e pegando Lívia de meu colo e a colocando na cadeira que havia perto da cama, junto com algumas roupas.
— Essa garotinha é danada, ela quase fez vossa senhoria se espatifar no chão. – disse ele rindo quando voltava para se sentar ao meu lado.
— Argh! É tão difícil entender que eu não gosto de ser chamada como o maior ser supremo nesse mundo? Chame-me de... De... Querida.
— Anh, eu não acho que seria o tratamento apropriado, senhorita. – disse ele.
— É que o meu pai me chamava de querida, quando falava com as empregadas, ele sempre falava "vá lá e chame a querida". Meu Pai sempre teve um grande apreço por mim, eu creio. Ele sempre desejava tudo de bom para mim. – Ian riu.
— Todos os homens desejam o melhor para a mulher que amam. – disse ele.
— Eu não entendo, eu disse, como ele poderia me amar, amar como mulher, se ele já tinha a minha mãe? – completei, franzindo a testa.
— Querida, disse ele, afagando meus cabelos, eu me contrai – seu pai, meu Rei, não lhe amava como mulher, mas sim como filha, ele era dotado por um amor muito especial a seu respeito. Ele desejava a você tudo o que um pai, sendo rei ou não, desejaria a filha: que ela case-se com um bom marido que a respeite e que a faça feliz acima de tudo, que queria o que ela quiser e que não a obrigue a nada, que não a obrigue satisfazer só suas vontades e que pense nela como mulher e como ser humano acima de tudo.
— Você fala como se já soubesse disso tudo. – eu disse – as palavras dele, começando com Querida me trouxeram uma paz de espírito tão grande, que eu seria capaz de pedir que ele ficasse falando sobre famílias, só para ter aquela sensação, para sempre.
— Eu tenho um pouco de experiência – disse ele rindo. O movimento de nossos corpos fez com que eu me encostasse-se a ele.
— Majestade, não seria prudente de sua parte ficar tão perto de um homem assim. As más línguas podem fazer mau jus ao seu respeito.
— E você, o que vão falar de você? – eu perguntei impaciente.
— Eu não me importo com o que falam de mim, a menos que isso satisfaça a minha Majestade. – ele me respondeu simplesmente, sorrindo.
— Ah, claro – eu disse debochada – com toda certeza você se difama e eu saio sem nenhum arranhão. E eu já disse para você para de me chamar de Majestade Sir. Ian.
— E, eu já disse para você parar de me chamar de Sir. Ian. Para você é só Ian. – ele me respondeu sorrindo contra o sol que entrava pela abertura de onde seria a janela.
— Por Deus!! Ian, por favor, não me diga você não entendeu o que eu lhe disse. Eu estou te tratando formalmente como você merece ser tratado. – eu fechei a cara.
— E eu estou te tratando como você merece ser tratada, ele me respondeu usando minha fala.
Eu ri.
— Está bem, então, o palácio, houve algum dano permanente ou que leve um pouco de tempo para ser reparado? Porque como você deve saber eu posso ajudar; é só me falar como. – ele assentiu.
— Na verdade nós já estamos tentando reparar tudo o que ocorreu, a maioria das coisas já estão prontas, só há um cômodo na casa que se recusa a se "refazer" conforme nós estivemos tentando todo esse tempo em que você esteve desacordada.
— Eu entendo, e sei muito bem por que isso está acontecendo. – ele havia tocado no meu segredo oculto, no meu ponto fraco, no lugar que eu queria esconder de todo o jeito mais eu sabia, muito antes de ser perseguida, que um dia eu teria que assumir o trono e que teria que respeitar o que eu era. Suspirei. – eu gostaria de ir para lá se você não se importar de me levar lá – eu disse hesitando.
— Claro que não, senhorita, e antes que possa reclamar eu estou te tratando como uma pessoa normal te respeitando, é só isso. – ele disse.
— Certo – eu lhe respondi, pensando no que poderia fazer para que ele não me visse entrando no cômodo. Eu cogitei uma vez a possibilidade de ficar invisível, mas ai ele acharia que estava delirando e eu teria que arrumar um jeito de aparecer em outro ponto do palácio em pouco tempo e lhe dar uma desculpa de que estava supervisionando o trabalho dos reconstrutores.
— Em que está pensando? – ele me perguntou, eu queria inventar algum motivo que não tivesse nada relacionado com meus pais, mas a realidade ali, naquele momento, era tão palpável e tão segura.
— Eu não pensava que teria que assumir o trono assim tão rápido.
— Na sua idade, as minhas irmãs já estão todas casadas e com filhos, - ele me respondeu, passando as mãos pelos cabelos. – você pelo menos tem um pouco de sorte, só terá que assumir o trono.
— Ah, não, eu não tenho sorte! Você não sabe nem da metade de minha vida Sir. Ian. E eu tenho certeza de que, quando eu colocar os pés naquele palácio o parlamento vai arrumar um noivo para mim em menos de uma semana e ai quando eu mal esperar já vou ter alguém ao meu lado, dormindo na mesma cama e governando um povo inteiro ao meu lado. Mas eu não quero isso! O que eu quero é só poder escolher com quem me casar. Escolher aquele que meu coração que meus braços e que minha boca quiser. – ele não pareceu surpreso com as palavras de minha boca.
— Era o que todas as minhas irmãs diziam antes de ter um casamento arranjado e de ter de respeitar o marido. – ele disse olhando diretamente para minha irmã.
— Eu espero que ela tenha escolha – eu respondi ao olhar dele – e o senhor Sir Ian, por que não se casou ainda?
— Anh – disse ele pego de surpresa por minha pergunta tão direta – eu ainda ao encontrei a mulher que ame.
— Igualzinho a mim – respondi contento a pontada de alegria na voz e nós rimos logo depois.
Nós seguimos de carruagem para o palácio, Sir. Ian fez a gentileza de nos acompanham dentro da cabine, segurando minha irmã no colo.
— Então, eu comecei quebrando o longo silencio da noite, como vai ser voltar ao castelo sem ter que servir meus pais? – perguntei acariciando o cabelo castanho de minha irmã, tentando me distrair.
— Eu acho que será apenas diferente. – ele me respondeu, levantando a cabeça de repente.
— Diferente como? Seja especifico.
— Servir uma pessoa mais nova. – eu ri.
— Você não precisa me servir se quiser. – respondi confiante, ele era a única pessoa que eu não obrigaria a nada.
— Você é a Imperadora.
— E, eu, a Imperadora, digo que o nobre cavaleiro Sir. Ian só precisa me servir se quiser. – os olhos dele abriram-se em choque. – qual é o problema?
— Você tem idéia do que acabou de dizer? Você acabou de renunciar que precisa de minha ajuda.
— Não, não foi isso! – eu protestei – eu disse que você só precisa me servir se quiser. – ele começou a rir.
— Não teve graça Sir. Ian! – eu cruzei os braços sobre o peito, fechando a cara e comecei a rir depois.
— Está vendo! Nós estamos se divertindo e por um momento esquecemos-nos das coisas más. – ele me disse, fitando-me.
— É verdade. – eu disse, abaixando a cabeça novamente. A carruagem parou.
Sir. Ian desceu primeiro com minha irmã, o cocheiro aguardou com a mão estendida. Eu agarrei as saias de meu vestido e dei a mão direita ao cocheiro que me ajudou a descer.
Nós subimos a escada, Sir. Ian me deu Lívia e eu a segurei sentada em meu colo, ela estava quase dormindo.
O cômodo de entrada tinha um enorme tapete vermelho, extenso até o degrau ao pé da cadeira real. As cornetas soaram. Um escrivão fez uma mensura e colocou a coroa que fora de minha mãe em minha cabeça e fez outra mensura.
O anunciador bateu o "taco" duas vezes no chão.
— Apresentando Vossa Majestade Real & Imperial e Vossa Alteza Real & Imperial. – a fila de damas e senhores que haviam se formado no salão foram se abaixando, as moças com os joelhos ao chão e os homens somente abaixando a cabeça.
Eu me sentei pela primeira vez na cadeira que fora ocupada por minha mãe. Uma empregada devidamente uniformizada fez uma mensura e colocou uma almofada no outro trono e eu coloquei minha irmã. Ajeitando-a. A empregada fez outra mensura e retirou-se.
Eu pigarreei e os cavalheiros junto com suas damas foram saindo do aposento. Eu chamei Sir. Ian com o dedo. Ele fez uma mensura. — Majestade? – ele disse voltando a fitar-me, desnorteando-me.
— Eu preciso ir aos meus aposentos, gostaria que você cuidasse de Lívia enquanto eu fico ausente. – levantei-me do trono, peguei Lívia nos braços e entreguei-lhe minha irmã, minha única família. – por favor, Sir. Ian tome cuidado com ela.
— A guardarei com toda minha honra, disse ele fazendo outra mensura e desaparecendo de meu olhar.
Sai pelas grandes portas, brancas com enfeites dourados, do lado direito do salão. Uma empregada, com face aterrorizada, parou em minha frente.
— Por favor, Majestade, não vá por esse lado, é por ai que ficar o quarto que não quer se reconstruir! – ela me disse, lembrando-se de fazer uma mensura.
— Não há problema, anh...
— Alice. – ela me respondeu timidamente.
— Alice, eu sorri em resposta, e peça para uma empregada preparar um banho, quero lavar-me.
— Sim, Majestade, deseja alguém que a ajude a se trocar?
— Sim, por favor. – e continuei andando, ela fez outra mensura e foi atrás das empregadas.
Ali estava o lugar. Empregados trabalhavam tentando fazer alguma coisa com o cômodo destruído, mas nada surtia efeito. Eu me lembrei da dor latejante em meu pé direito e me perguntei como eu havia conseguido andar praticamente perfeitamente. Fiz um gesto com a mão e meu pé estava novamente em boas condições.
— Saiam! – eu disse com voz gentil aos empregados, eles fizeram mensura e saíram. Eu respirei de repente nervosa, aquilo estava em minhas mãos, a responsabilidade de um povo de toda uma geração em minhas mãos. Eu não tinha nem dezessete anos.
— Mãe, pai, dêem-me forças para continuar essa jornada que vocês deixaram em minhas mãos.
— Salle de vrais secrets, la reconstruction est de l'ordre de leur nouveau propriétaire. - eu disse erguendo os braços. A sala destruída foi se tornando dourada, com os filetes do jeito que eu me lembrava, as seis colunas que existiam ali, as duas grandes portas de madeira, o isolamento de magia que havia na sala, os desenhos nas paredes atrás das colunas cor de creme. – respeite-me e conceda-me seus poderes e ensinamentos, faça de mim uma boa dona, uma boa Imperadora e Rainha, eu entrego-me a missão que me foi concedida.
Eu entrei pelas portas de madeiras com filetes em ouro puro, desenhos de flores e letras em latim e francês estavam misturadas formando feitiços estranhos e que ninguém tinha visto, eu era a primeira. Mau sinal. Ninguém havia me mencionado sobre essas letras.
— Eu me sinto tão sozinha aqui, eu disse passando os braços cruzados por esfregando-os como se estivesse com frio; é como se nada dessa magia que me preenche adiantasse. Eu preciso de alguém ao meu lado, que possa me dar conselhos, eu preciso de alguém que possa confiar. Sem ter que ficar pensando que são apenas empregados, eu quero alguém que me ame. Não um simples marido, eu quero um homem que se importe comigo. – o vento soprou mais forte.
A voz que parecia vir das paredes era exigente e raivosa, repreendendo-me.
— Você é uma escolhida pelos segredos reais, tem que cumprir seus deveres com alguém que saiba guardar segredos, com alguém que antes do amor seja confiante em si próprio, depois você pensa no amor. Você tem que pensar nos deveres que tem com o povo e com a sua irmã, você é a responsável por isso tudo Imperadora!
— Eu sei, eu sei que eu tenho um povo para cuidar. Mas eu tenho que pensar em mim também! A todo o momento eu me preocupo com os outros. Eu não pedia para ser uma escolhida pelos segredos reais, eu não pedi para ter que dominar toda a mágica! Eu não pedi para ser a Imperadora Liadan! Eu não pedi para ser a dama da noite!
— A Imperadora nega seu dever! – a voz urrou.
— Não é isso! Eu não estou negando meu dever como Imperadora, eu só quero um marido, só quero alguém em que possa confiar esse segredo que trago em meu coração, e que conviverá comigo até o resto da vida como sempre aconteceu com as moças Liadan! Como foi que minha mãe conseguiu encontrar um homem que nunca abriu a boca para falar mal dela e espalhar o segredo dela? Eu quero alguém para ter ao meu lado quando eu precisar! – eu terminei com voz rouca.
— Você pode ter – a voz continuou – é só você escolher a pessoa certa. Lorde Casmir parece um bom homem, ele te idolatra silenciosamente pelos cantos, só não foi falar com você ainda porque não se pode fazer convites a uma Imperadora. Ele gostaria muito, de lhe pedir em casamento.
— Mas eu não vou me casar com Lorde Casmir, eu o detesto! Ele não é nem merecedor de minha confiança!
— Você deve casar-se com ele! – a voz urrou novamente, extremamente irritada. O vento soprou forte.
— Não vou me casar com ele! Eu decido com quem vou me casar, o marido será meu.
— Casa-se com Lorde Casmir! – a voz continuou urrando.
— Basta! – eu disse empurrando o vento imaginário com as mãos. A voz sumiu.
Eu andei um pouco mais e fui à estante que continha os livros antigos. Estavam todos empoeirados.
Mexi um pouco as mãos e a maioria da poeira foi lançada pelas grandes janelas de vidro.
Fui a uma das prateleiras e peguei um livro, tirando mais um pouco de pó.
— Ah, ótimo. Não tem nenhum livro aqui que me fale como uma Imperadora Liadan deve agir quando se trata de escolher seus futuros maridos. Grande ajuda! – eu bufei, e dei meia volta, indo em direção a porta, decidida a não me deixar levar pelo "julgamento" de uma voz irritante que fica te enchendo o saco dia e noite.
Eu passei pela porta e fechei-a logo após, murmurando novamente o encantamento eu chequei novamente e ali só haviam livros velhos e surrados.
A mesma empregada que me disse que a Sala dos Segredos Reais não queria se reconstruir passou por mim fazendo uma longa mensura assim que me viu e continuou seu caminho enquanto eu seguia, de queixo erguido, para meu quarto.
As sentinelas me olhavam com o que parecia esperança. Droga! Eu nunca pedi para ser a Imperadora! Eu estava tagarelando internamente e fui interrompida por uma voz irritante, parecida com a outra voz que vinha do nada, ao meu lado direito; aquela que havia me reconhecido a partir do capuz que me cobria a coroa.
— Com Licença, Imperadora, vim lhe informar que Vossa Alteza Real & Imperial, a Princesa Lívia, já foi colocada em vosso antigo aposento e dorme como um anjo.
— No meu quarto? – eu perguntei com voz estridente.
— No seu antigo quarto Imperadora. Vosso aposento agora, se encontra no lugar que seria dos seus pais, Deus salve o Rei e vossa Imperadora. – a empregada abaixou a cabeça solenemente. Eu me mantive como se nada tivesse me afetado, mas a verdade era que aquilo doía mais em mim do que eu podia descrever. A perda de minha mãe, sobretudo, não fora em vão. Ela e meu pai morreram para me defender, a mim e a minha irmã, para que eu continuasse com o Império. Era isso que me assustava. Ninguém a não serem as Liadan sabia dos Segredos Reais. Nenhuma outra pessoa sabia sobre tudo o que eu teria que passar, e eu sabia que, de certa forma, eu morreria do mesmo jeito que meus pais, tentando proteger minha filha e eu sabia que ela iria ficar do mesmo modo que eu, totalmente perdida e revoltada.
— Claro, eu já vou subir. – eu disse, lembrando-me da conversa que estava tendo com a empregada.
— Como quiser Majestade. – a garota, que não tinha pouco mais de minha idade, fez outra mensura respeitosa e saiu andando.
Oh, eu pensava que meu quarto se manteria, a única coisa que ainda me fazia feliz. Será que nenhum deles entedia que dormir no quarto que fora de meus pais me trazia mais sofrimento ainda? Mais dor? Era um pedaço de mim que fora completamente arrancado e quase nem havia cicatrizado.
Eu subi as escadas devagar, sempre olhando para o chão. O modo como eu estava agora me tornava irreconhecível; eu parecia uma plebéia, tanto que algumas empregadas e damas nobres passavam por mim e não me cumprimentavam do jeito que deveriam me cumprimentar. Não que eu me importasse. Na verdade, o que eu queria mesmo era que eu pudesse ser uma plebéia, sem responsabilidades, sem decidir o futuro do seu Império e de seu Reino, como se não bastasse somente o Império.
Eu cheguei às grandes portas brancas, enfeitadas a ouro, dois serviçais as abriram para mim quando ergui a cabeça e retirei o capuz que me cobria a coroa.
— Majestade. – os dois disseram em uníssono e abaixaram a cabeça em outras grandes e exageradas mensuras.
Assim que entrei no antigo quarto de meus pais uma profunda dor me invadiu o peito, eu me lembrei de todos os momentos em que eu estivera entrando correndo pela porta e me sentando ao lado de minha mãe na cama. Algumas lágrimas me caíram dos olhos, mas eu logo tratei de contê-las.
Então foi ai que eu vi uma nobre parada ao lado esquerdo, junto a penteadeira, onde havia uma bacia com água quente, escovas de cabelo, e logo atrás dela parecia haver um vapor quente, saindo de dentro.
— Majestade. – ela me fez uma mensura, segurando as saias. – Sou a Duquesa Luisa, estou aqui para lhe ajudar, primeiramente, Alice me disse que vossa Majestade gostaria de se trocar e de se banhar; estou aqui para lhe ajudar nessas funções.
— Obrigada, Duquesa. Diga-me eu já a conheço?
— Claro que sim, Majestade. Eu servia a sua mãe quando vossa Majestade ainda era pequena.
— Então com certeza eu a conheço. – eu disse sorrindo. – Me desculpe por entrar logo assim, chorando. É que esse quarto me traz muitas lembranças que eu vou ter que enterrar de uma hora pra outra.
— Eu entendo Majestade. Sinto que tudo seja tão triste.
— Obrigada por entender, Duquesa.
— São apenas meus sentimentos e minhas condolências, Majestade. – a duquesa disse-me em voz baixa enquanto eu circulava de um lado pelo outro pelo quarto.
— Venha cá Duquesa – eu disse me sentando na cama que agora era minha e fazendo sinal para ela se sentasse ao meu lado.
— Majestade, eu não sei se devo, nunca se permitiu que as nobres se sentassem na cama de uma Imperadora.
— Eu estou ordenando que se sente aqui, caso alguém especule, Duquesa – eu disse com um sorriso meio terno.
— Sendo assim, Majestade - ela disse se sentando ao meu lado.
— Diga-me, o que acha de Casmir?
— De Lorde Casmir? – ela perguntou incrédula, com uma pontada de histeria na voz. – Bem, - ela começou logo depois de se recompor. – dizendo a verdade, Majestade, eu nunca o achei confiável, tenho medo deles às vezes também, pelo fato de eu ainda não ser casada e eu devo dizer que, não sei se a vossa Majestade já sabe, ele gostaria de desposá-la.
— Infelizmente eu já sei da noticia, mas não é por isso que perguntei. Todos devem achar que eu quero me casar com ele, mas eu o detesto. E não fique receosa Duquesa. Eu a convido a partir de agora para ser minha Dama de Companhia. Então, como minha Dama, você poderia verificar uma série de empregada para virem me servir, para que eu possa ver a qual eu me "apego" – eu disse fazendo aspas com as mãos – para servir-me depois definitivamente?
— Majestade – disse ela se levantando e fazendo uma mensura até o chão. – é claro que poderia, como sua Dama de Companhia.
— Obrigada, mas hoje, no entanto gostaria que escolhesse um de meus vestidos de cor amarela, eu quero um bem simples, mas com muitas anáguas, enquanto eu me banho.
— Vossa Majestade não gostaria de ajuda para se banhar?
— Eu só quero que solte os botões de meu vestido e mais nada. Assim eu me banho, e depois que escolher meu vestido, gostaria que descesse e informasse a Sir. Ian que quero dançar com ele no baile desta noite.
— Vai haver um baile? – a Duquesa perguntou, contendo a curiosidade presente na voz.
— Naturalmente – eu disse assentindo – para minha posse oficial da coroa e a senhorita vai ser minha Dama de Companhia, junto com Sir. Ian, que dançará comigo. E o avise que as cores oficiais serão: vermelho e dourado, juntamente com o brasão antigo de minha mãe, até que eu tenha uma idéia de como será o meu. E em hipótese alguma deixe Casmir saber que dançarei com Sir. Ian.
— Sim, Majestade – a Duquesa fez outra mensura e foi atrás de mim abrir os botões de meu vestido.
Logo após que entrei no banheiro da suíte e fechei as duas portas brancas, eu ouvi Luisa abrir meu armário e colocar meu vestido em minha cama e depois sair do quarto.
Eu tomei um banho rápido, e me enxuguei, peguei uma meia branca e coloquei-a, junto com um espartilho que puxei ao máximo que consegui. Logo após, coloquei as anáguas, foram 15, que deram o volume perfeito para minha saia, e coloquei o vestido amarelo, após abotoá-lo na parte das costas.
Peguei meu salto que nem era tão alto, mas grosso e coloquei-os. Eu sentei na penteadeira e penteei meus cabelos.
Eu não era e nunca fora igual a algumas Imperadoras ou Imperatrizes ignorantes que precisavam de ajuda para tudo. Deixei meus cabelos soltos, prendendo apenas levemente, a parte de cima. Ao terminar, coloquei minha coroa, o fardo que eu carregava.
Deitei-me um pouco na cama e acho que devo ter adormecido com um livro em meu colo, quando acordei já estava escuro lá fora, a janela aberta fazia o ar gelado da noite entrar, eu senti uma onda de frio. Decidi levantar-me ao perceber que eu não conseguiria repousar mais. Abri o armário, novamente, e peguei um xale de lã amarelinho claro e coloquei-o sobre os ombros.
Abri as portas, empurrando-as para frente, e sai.
O corredor estava praticamente deserto a não ser por causa dos guardas que viraram a cabeça em minha direção ao momento em que eu passava.
Eu contornei as escadas, segurando levemente as saias de meu vestido. Havia um homem de costas, que reconheci como príncipe Felipe, conversando com Sir. Ian. Eu parei um pouco antes do meio da escada, evitando ouvir sobre o que eles conversavam, quando Sir. Ian percebeu minha presença (posso dizer que até imponente), ele avisou príncipe Felipe que se virou ao seu lado e os dois abaixaram-se com um dos joelhos ao chão e cabeças baixas.
— Majestade – os dois disseram juntos.
— Primo – eu disse abrindo os braços e parando ao pé da escada. Ele ergueu a cabeça e se levantou; eu o abracei. – Saudades... Como andam as coisas? Quero que me conte todas as suas andanças pelo mundo. – eu parei na frente de Sir. Ian.
— Consorte. – eu disse para Sir. Ian que ergueu devagar a cabeça. – Vamos, o que está esperando, não vai me cumprimentar? – eu disse rindo levemente, ele parecia meio chocado.
Após processar o que eu havia dito, e praticamente "bater continência", ele pegou minha mão direita estendida e beijou-a.
— Assim sim. – eu disse sorrindo levemente.
— Perdoe-me pela idiotice Majestade, mas eu não consegui... – ele não continuou visivelmente envergonhado.
— Não há problema. Primo, eu gostaria de saber se já viu a maravilhosa decoração do jardim. – eu arrumei uma desculpa para ficar sozinha com Sir. Ian. Felipe pareceu entender a deixa e falou que ia ver o jardim. – Sir. Ian a Duquesa Luisa lhe comunicou que...?
— Que vossa Majestade gostaria de dançar comigo no baile? Sim, Majestade, e eu fico muito honrado por isso. – ele disse olhando para mim diretamente pela primeira vez.
— Quem mais eu convidaria? – eu dei de ombros – Sir. Ian, você acha Casmir confiável?
— Não sei o que acho dele, com todo o respeito Majestade. Nós nunca fomos muito próximos.
— Eu entendo – eu comecei a andar para o corredor quando Sir. Ian me ofereceu o braço.
— Muito Grata. – eu disse passando meu braço pelo dele. – Eu sei que a idéia do Baile foi meio repentina, certo, foi muito repentina e peço que me desculpe. Eu preciso de alguma coisa que não me faça ficar sozinha.
— Eu entendo – ele repetiu – com todo o atrevimento do mundo, Majestade, mas por que quer saber de Lorde Casmir?
— Anh, digamos que eu precise saber em quem confiar. – ele assentiu.
— Com Licença, Majestade. – duas empregadas fizeram mensuras em frente a mim e a Ian. – Nós precisamos saber se prefere os guardanapos cor de creme, ou brancos.
— Brancos. – eu disse olhando para os guardanapos estendidos em minha frente.
— E também gostaríamos de saber se quer Príncipe Felipe ao seu lado esquerdo ou direito.
— Príncipe Felipe, pelo que creio eu, fará companhia a minha dama de companhia, que ficará a minha esquerda, portanto ele ficara à minha esquerda e logo após Duquesa Luisa. Antes que me perguntem sobre o Arquiduque Ian, ele ficará ao meu lado direito, como meu Consorte.
— Com todo o atrevimento do mundo Majestade, quem é esse Arquiduque Ian? – a outra empregada tratou de responder por mim.
— Que ignorância, Amélia! É obvio que o Arquiduque Ian é o que está ao lado dela, como seu Consorte, Majestade. Estou certa? – ela perguntou sorrindo e inclinando-se sugestivamente para frente.
— Sim. – elas fizeram mensuras e se retiraram.
— Majestade – disse Ian parando ao meu lado direito logo que as empregadas saíram do corredor – como assim Arquiduque?
— Simples, um título nobre que lhe cai bem. Eu resolvi que você é a partir de agora um Arquiduque e não mais um senhor de pequenas terras, além de meu nobre guerreiro.
— Mas Majestade, e o parlamento? O que o Parlamento dirá?
— Eu não me importo com o que o parlamento vai dizer, Arquiduque Ian. Eu sou a Imperadora e descido quando dar, ou não, títulos aos meus nobres guerreiros. – eu agarrei-lhe o braço e continuei andando com ele ao meu lado.
— Eu espero que não se importe, Majestade, mas de acordo com Duquesa Luisa, a senhorita estava dormindo, portanto eu e a Duquesa tivemos que escolher os pratos principais.
— Eu confio em vocês. – eu disse pouco antes de virarmos para a entrada do salão principal.
— Apresentando Sua Majestade Real & Imperial, e seu Consorte S...- eu fiz que não e sussurrei Arquiduque. – e seu Consorte Arquiduque Ian. – nós entramos lentamente.
Ao pararmos em frente ao trono de minha mãe, Ian fez uma mensura e retirou minha coroa e a deu ao Bispo que estava nos aguardando.
— Majestade. – disse ele inclinado um pouquinho a cabeça.
— Eminência. – eu disse, me abaixando e beijando o anel que estava em sua mão. – gostaria de lhe apresentar, com todo o respeito, meu Consorte, Arquiduque Ian, que concordou gentilmente em meu acompanhar nessa celebração.
— Eminência. – Ian disse inclinado um pouco a cabeça.
— Muito nobre de sua parte meu jovem. Mas agora, Majestade, eu gostaria de começar a celebração se não for muito incomodo.
— De Maneira alguma. Arquiduque, por favor, sente-se junto com meu primo, o Príncipe Felipe.
— Como quiser, Majestade. – ele disse fazendo uma mensura e se distanciando.
— Minha filha, por favor, ajoelhe-se. – disse o Bispo, dando um passo para trás para que eu me ajoelhasse. – ele levantou primeiramente a coroa vermelha, que estava guardada e que era usada apenas em ocasiões especiais e colocou-a acima de minha cabeça, segurando-a. – Você promete diante de todos fazer justiça contra todos aqueles contra a lei de Deus e do Parlamento? – Príncipe Felipe colocou um pesinho em forma de bola em minha mão direita estendida.
— Eu prometo.
— Você promete diante de todos governar com sabedoria e tomar suas próprias decisões sem deixar se influenciar por opiniões alheias? – Felipe colocou o cetro em minha mão esquerda.
— Eu prometo.
— Que essa coroa seja abençoada e ao ser posta em sua cabeça lhe dê sabedoria e que todos saibam que não vale a pena lutar por ela; de acordo com nosso bondoso e misericordioso Deus, ela pertence a você Ellen Liadan, Imperadora deste Castelo. – ele colocou a coroa em minha cabeça, descendo-a lentamente enquanto falava.
— Majestade – o Bispo me pegou pelo pulso esquerdo, me ajudando a levantar e se sentar no trono.
— Deus salve a Imperadora – a multidão gritou.
Eu me levantei e dei uma olhadinha para Príncipe Felipe, que entendeu o que queria, se aproximou de mim e segurou o pesinho em forma de bolinha e o cetro, fez uma mensura e se afastou.
— Arquiduque? – eu perguntei ao senhor de idade que estava a minha frente. Ele deu um passo à frente e fez uma mensura.
— Majestade?- ele continuou abaixado.
— Se aproxime mais, por favor – Ele fez o que eu pedi, ainda de cabeça baixa e com corpo inclinado. – quero que, sem que o Arquiduque Ian saiba encontre as irmãs dele para fazermos um almoço daqui alguns dias, mandem os convites em meu nome caso os maridos delas não acreditem que eu as quero aqui no palácio. Ficaria contente se o senhor fizesse isso por mim.
— Obrigado por me confiar essa nobre tarefa, Majestade. Ninguém saberá do que me foi concedido. – eu assenti e ele se afastou.
— Ian? – eu perguntei. Menos de dez segundos depois ele estava do meu lado fazendo uma mensura.
— Majestade? – ele disse ainda abaixado.
— Não é preciso abaixar-se quando você está como meu Consorte – eu disse sussurrando pelos lábios imóveis – somente beije minha mão e me ofereça o braço. – eu disse estendendo levemente minha mão direita. Então ele fez o que eu disse. Felipe se aproximou mais uma vez de mim, colocou uma capa vermelha pressa por meu pescoço e devolveu-me o cetro e a bolinha. Eu comecei a andar em direção ao tapete vermelho junto com Ian.
— Companhia! – urrou o General – Apresentar armas. – então um corredor de espadas se formou em cima de minha cabeça uma após as outras até o final do tapete vermelho. O som de dois tambores sendo tocados fez minhas orelhas doerem, mas eu continuei sorrindo.
Aqui, como você pode ler no título, ficarão as estórias de NEOPETS que eu já li e recomendo...

Comentário: Eu acho que quem conhece a Laura não precisa nem falar nada, eu amo todas as estórias dessa menina!
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