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Pequeno aviso

Pessoa que lê isso: Atemporal está fechada. Forever.
Você: *em crise* POR QUÊÊÊÊÊ???!!!!
Porque um dia eu vou publicar, e realmente ando com medo de certas pessoas que chegam na sua história, copiam e aí cabô. Não vai ser nada interessante chegar na editora com tudo bonitinho e descobrir que algum cretino já publicou no meu lugar.
Anyway, a página ainda estará aqui, com o capítulo um e o prólogo disponíveis para quem quiser matar a saudade.
Beijos.

Oie ^^


Ooooi *u*
Tudo beleza? ^^
Então, indo direto ao assunto, eu estou escrevendo essa estória aqui, cujo nome é Atemporal.
Você: Wow, acho que eu não percebi e.ê *vendo título gigante*
Eu: *olhar gelado*
Você: o3o
Ignorando o título desproporcional, você pode passear à vontade pela página. Que não é novinha em folha mais o/
Mas como ainda está tosca, eu vou colocar um "Em construção" ali em baixo. Porque aí eu tenho a desculpa de não fazer nada decente por mais uns meses.

Em construção.


Ajude-me a crescer colando o link abaixo no seu navegador ;D
http://www.squiby.net/level/3530883

Alguma coisa /o/


Daí pode manter a "aparência" descrita e só adicionar a imagem mesmo. Dá menos trabalho e eu sei que você tá se afogando em fichas. o3o

Alguma coisa /o/

Alguma coisa /o/

Awards ganhos

Um TY bem grande para todos que me deram awards :3

award

neopets-PHERANO

Se quiser ver os awards que dou, clique aqui.

Coisas inúteis 'u'

Este é o canto mais inútil da página, já que reúne um bando de trequinhos felizes que não fazem a menor diferença mas que é bom ter.
Então, não se surpreenda se ao final desta leitura você disser: Tá. E daí...?.
Não me culpe. Você foi avisado.

Apresentação


Well...
Meu nome é Laura, e para todos os efeitos, tenho quase 14 anos. Sou muito preguiçosa, eu tenho preguiça de existir '-'
Também sou perfeccionista, criativa, penso positivo, tento fazer o bem, argumento maravilhosamente, não suporto erros de português, mineira de coração e alma e corpo e tudo que você possa imaginar. Sou totalmente louca e, é claro, tenho baixa auto-estima ;u; -NNN
Meus ídolos escritores são: Stephenie Meyer, J.K. Rowling, Rick Riordan, P.C. Cast/Kristin Cast, Meg Cabot, C.S. Lewis, J.R.R. Tolkien, Philip Pullman, Alyson Noël e Lemony Snicket. A ordem dos fatores não altera o produto '-'
E eu tenho um gato branco chamado Dumbo que é mais velho do que eu -ok

Contador


Contando desde o dia 11/04/2010

A mágica acontece quando você coloca a setinha do mouse em cima e espera dois segundos @-@

Regras

Well, a regra é única e bem simples. Não copie absolutamente nada desta página. De acordo com o artigo 184 do código penal, violar os direitos autorais é crime, baby. E vamos combinar... Plágio é atestado de burrice ;D

Links bons

Photobucket

Amor Fantasmagórico

Photobucket




Aconteceu alguma coisa!
Illusen passa por você e diz baixinho: Quer ouvir um segredo?

E, por fim, as páginas que não têm link-me:
Night Days
Estórias de Neopia, que nem é esse mesmo o nome mas eu precisava anunciar de alguma forma ù_ú

Todos os links acima são muito bons e eu recomendo! =D

Créditos

pakshalika, por ter me ensinado a fazer pps multipáginas e que frequentemente tira minhas dúvidas sobre HTML e CSS;
Esta pp, que me ensinou a fazer contadores em geral. Ela também me tira muitas dúvidas de HTML;
Esta segunda pp, que me ensinou a colorir barras de rolagem.
Esta terceira pp, de onde eu peguei o lápis das regras e o gatinho aqui do lado ^^
Este tutorial de multipáginas que tem tabelas de cores que eu utilizei para codificar este lay.
Você, guest, por estar lendo a minha pp e valorizando o meu trabalho ;D
E à mim né... afinal fui eu que fiz isso tudo u_u

Capítulos

1ª Parte: Antes

Prólogo
Capítulo 1

Prólogo

O tempo é muito lento para os que esperam
Muito rápido para os que têm medo
Muito longo para os que lamentam
Muito curto para os que festejam
Mas, para os que amam, o tempo é eterno.

William Shakespeare

Capítulo 1 ^-^

Eu desabo na porta do quarto

O dia mais estranho do ano começou mais ou menos assim:
Pamonha! Olha a pamonha quentinha! Pamonha de qualidade, minha gente! Pamonha!
Pulei na cama enquanto o infeliz do vendedor de pamonha passava na rua. Não era nenhuma novidade acordar com ele berrando na minha janela, mas isso não me poupava do susto.
Suspirei e me espreguicei, querendo apenas poder ficar deitada na minha cama pelo resto da eternidade. Mas há vida lá fora, e eu infelizmente fazia parte dela.
Para minha (in)felicidade, aquele era o último dia de aula, e só iríamos ter prova. De tarde. Das duas às quatro horas. Apesar de não gostar de aparecer na escola apenas para isso, pelo menos pude dormir até mais tarde.
Tomei meu banho, escovei os dentes e vesti uma roupa confortável, para ficar apresentável enquanto tomava café.
- Bom dia, mãe. – eu disse, enquanto sentava-me à mesa.
- Bom dia, querida. – ela respondeu. – Entusiasmada para seu último dia de aula?
- Com certeza estarei mais quando ele tiver acabado. – eu respondi. Se ainda estiver viva, acrescentei mentalmente. Minha mãe deve ter percebido meu desânimo, porque sorriu de leve e disse:
- Não se preocupe, meu bem. Hoje dará tudo certo, você vai ver. – Ela sorriu mais forte, querendo me transmitir confiança.
- Não tenho tanta certeza disso. – disse, baixo demais para que minha mãe ouvisse. Ela afagou minha mão, me encorajando.
Eu nunca tive o que se pode chamar de um fim de ano normal, com amigas se despedindo, gente comemorando, etc. Primeiro, porque minha melhor amiga, Adriana, é "durona" e nunca chora nessas despedidas. Segundo, porque eu sempre sofro alguma experiência de quase-morte. No 7º ano, eu rolei dois lances de escadas. No 6º ano, quase me afoguei na piscina, porque alguma coisa prendeu meu pé no fundo. No 5º ano... Bem, acho que você já entendeu.
Então digamos apenas que eu não estava dando pulinhos de ansiedade.
Quando terminei o café, fui até o banheiro dar uma "checada no visual".
Olhei desanimada para meu reflexo, com os familiares olhos castanhos e cabelos loiros, que segundo minha mãe, eu herdara de meu pai. Não acho que tenha chegado a conhecê-lo. Não me lembro dele, e já que minha mãe não gosta de tocar no assunto, a história ficou meio confusa.
Ajeitei algumas mechas que estavam fora do lugar e voltei para o quarto, para tentar achar algum passatempo até o almoço.
Ou quase isso.
Quando estava na soleira da porta, meus joelhos cederam e eu caí com um baque.
- Marcela! – minha mãe me chamou com uma voz assustada. Eu mal ouvi. Estava longe.
Eu estava dentro de um carro em alta velocidade, subindo um morro. No volante, uma garota não muito mais velha do que eu, de cabelos castanhos, longos e trançados. Ao seu lado, uma menina de uns 10 anos, ruiva e com os cabelos encaracolados caindo-lhes pelos ombros. Ambas estavam com rostos assustados, e a menina virava para trás a toda hora, como se algo as estivesse perseguindo.
- Faz esse carro ir mais rápido! – a menina gritou, em uma das olhadas para trás.
- Estou tentando! – a garota respondeu. Seu rosto se contorceu e ela se curvou para frente, acelerando.
A menina mudou a feição, fechando os olhos. Um segundo depois, seu rosto estava ainda mais assustado, se é que isso era possível.
- Está bloqueado! Era uma armadilha! – ela gritou.
- O QUÊ? – a garota no volante berrou. O carro bambeou perigosamente para os lados enquanto ela olhava com ódio para a menina. – Como você...! Você disse que era pela esquerda!
- Eles me enganaram, era uma armadilha, e nós caímos nela! Não tem saída lá na frente!
- Não! Tem que ter uma saída! Acha uma saída agora! – Seu tom me gelou. Era a mais pura das ameaças, mas ao mesmo tempo, tinha pânico. Deixava entender que a escolha era entre a vida e a morte.
- Não dá, por terra não dá! Vamos ter que saltar!
- Está louca? Nunca sobreviveríamos!
- É a nossa única chance! Vire aqui, e rápido!
Por um segundo assustador, a garota no volante hesitou. Depois bufou enquanto jogava o carro para a direita, e eu gritei quando saímos da estrada e voamos para fora do morro. Fechei os olhos, com medo.


- Marcela, pelo amor de tudo que é mais sagrado, ACORDA! – ouvi a voz da minha mãe, e senti suas mãos preocupadas me sacudindo.
Com um arquejo, abri os olhos e voltei ao presente.
Minha mãe estava com seu melhor rosto de pânico, e algumas lágrimas escorriam por sua face. A preocupação extrema era evidente em seus olhos, e algo me disse que ela já tinha gritado muito por mim.
Assim que eu abri os olhos, porém, alívio surgiu em sua expressão, e ela me abraçou.
- Ah Marcela, não faça isso comigo. – ela disse, e fungou enquanto me abraçava mais forte. – Achei que você estava tendo um ataque ou algo assim.
- Desculpe-me, mãe. – Foi o melhor que pude dizer, ainda em estado de choque. Com alguma dificuldade, passei os braços em torno dela e a abracei.
Ficamos ali paradas por mais alguns segundos, até eu perceber que ainda estava no chão e que minha cabeça latejava.
- Humm, mãe, já pode me soltar agora. – disse eu.
- Ah, claro. – minha mãe respondeu, e me ajudou a levantar. Ela me olhou por alguns instantes. – Está se sentindo bem, querida? – ela perguntou. Seus olhos verdes faiscaram, puxando por minha consciência, ao mesmo tempo em que a preocupação retornava a eles.
- Estou, mãe. – menti. Não faria bem preocupá-la mais. Não naquele momento. Depois eu contaria a ela o que tinha visto... e ela saberia o que fazer. Minha mãe sempre sabia.
- Tudo bem. Se precisar de qualquer coisa, estou vendo televisão na sala, OK? – ela disse. Depois seguiu pelo corredor, não sem antes me abraçar outra vez e direcionar-me um último olhar.
Eu não sabia bem o que fazer, então simplesmente cambaleei até minha cama e nela caí. Fechei os olhos bem fechados e tentei manter a respiração estável.
Não era... bem, a primeira vez que isso acontecia. Esse ataque. Pela descrição e pelo rosto da minha mãe, percebi que os casos eram semelhantes. Mas era a primeira vez que eu via um carro, ou mesmo as duas garotas.
No ano anterior acontecera também. Mas daquela vez eu vira algo diferente: minha escola. Eu andava calmamente por ela, saindo da sala de prova, e quando fui descer a escada principal... fui empurrada. Eu vi o rosto de quem me empurrara: um homem sinistro, do tipo que você sempre pode suspeitar se começar a acontecer ataques de serial killer no seu bairro. Ele riu maleficamente quando eu caí.
E quando realmente cheguei na escola e saí da sala de prova, ele estava lá. O mesmo rosto. O mesmo homem. Que olhou para mim e seus olhos faiscaram por trás dos óculos escuros.
Eu me lembrei do que vira, mas me convenci de que estava sendo boba e que era apenas uma coincidência. Continuei seguindo em frente.
Resultado: acabei na enfermaria, com um galo na cabeça e os braços levemente ralados, e minha mãe me abraçando toda hora e dizendo que eu não devia fazer isso com ela.
Eu passara o resto do dia tentando convencer-me de que aquilo fora só um sonho, e que era apenas uma mera coincidência que eu tivesse rolado a escada. Talvez o cara nem mesmo estivesse lá, afinal a segurança jamais o deixaria entrar. Talvez eu fosse apenas mais uma louca no mundo, sonhando acordada e tendo ilusões de assassinos na minha própria escola, que na falta do que fazer empurram adolescentes sem-graça do alto de escadarias.
Mas meu mais recente ataque me dizia outra coisa.
Levantei de minha cama e, mordendo o lábio, peguei o telefone. Disquei o número que já sabia de cor e esperei.
- Alô. – uma voz sonolenta respondeu.
- Alô, Dih. Ahn, te acordei? – eu disse. Adriana devia ter dormido tarde no dia anterior, porque geralmente quem me acordava com telefonemas era ela. Ah, bem, todos têm direito a um dia de descanso, afinal.
- Oi Mah. – ela respondeu. – Mais ou menos... Fiquei acordada até muito tarde ontem_ então... – Bingo.
- Ah, desculpa então, Dih. Se quiser, eu posso ligar depois. – Falei aquilo simplesmente para ser educada. Eu precisava desabafar com alguém que não quisesse me levar para o outro lado do país por causa de um sonho qualquer, e infelizmente isso não incluía a minha mãe.
- Não, você já ligou. E já está na hora de acordar, em todo caso. – ela tornou a dizer. – Então, o que foi?
- Ah... – Como se diz para sua melhor amiga que você desmaiou na porta do quarto e sonhou que estava dentro de um carro com duas garotas completamente desconhecidas e em pânico, que de repente resolvem saltar para fora da estrada e desafiar a teoria da gravidade?
Eu demorei bastante tentando formular a primeira frase, então a Dih perguntou do outro lado:
- Marcela? Ainda está aí?
- Estou. – respondi. Comecei a ficar nervosa. – Aahh, Dih, posso passar aí? Depois das provas? – Minha mãe nunca me deixaria sair antes disso. Não depois de ter desmaiado.
- Está tudo bem? – ela tornou a perguntar. Percebi por seu tom que ela estava preocupada.
- É difícil de explicar. Eu... posso ir aí? Por favor.
Eu não sei como ela entendeu as minhas palavras, mas disse apenas:
- Claro. Claro, Mah. – Eu achei que ela parecia nervosa quando disse isso, mas não pude comprovar nada, porque logo depois falei um tchau apressado e desliguei o telefone.
Saí do quarto e disse para minha mãe:
- Mãe, eu vou passar na casa da Dih depois da prova, então não precisa me esperar para o jantar. Tudo bem?
Eu a ouvi desligando a televisão. Logo depois ela disse:
- Por que, meu bem? Vocês vão ter as férias todas para se encontrarem.
- É só uma comemoraçãozinha, mãe. Aproveitar desde já... Fazer pipoca e ver um filme, essas coisas. – Ela ficou algum tempo em silêncio. Resolvi usar mais argumentos. – E eu não vou chegar tarde, prometo. Não vou te acordar nem nada. Sério.
Minha mãe continuou calada. Achei que ela estava pensando se deixava ou não, levando em conta meu recente desmaio. Ou talvez apenas tivesse percebido que eu não estava sendo 100% sincera.
- Tudo bem, querida. – ela finalmente respondeu. – Mas passe aqui antes, OK? Não vá direto para lá. E chegue antes das nove. – Eu a ouvi ligar a televisão novamente.
- Pode deixar. – disse eu, mais para mim mesma do que para ela. Fiz uma promessa silenciosa de que realmente não demoraria. Acontecesse o que acontecesse.


Quando cheguei ao colégio, já com meu familiar rabo-de-cavalo e vestindo o uniforme horroroso da escola, tenho que confessar que não encontrei nada de mais acontecendo. Parecia um fim de ano normal, com pessoas normais contando seus planos normais para as férias normais, passando telefones normais e se despedindo normalmente porque saíam da escola ou mudavam de turno. Tudo exatamente como deveria ser: normal.
Bom, pensei. Até aqui, tudo bem.
Andei sem rumo pelo pátio, procurando a Dih, mas não a encontrei em lugar algum.
Então acabei sendo puxada para dentro de um círculo de garotas entusiasmadas da minha sala, que me contaram que estavam planejando "A Festa do Ano", com direito a som ao vivo e uma breve apresentação da banda da escola.
- Aqueles caras lindos tocando direitinho, com aquela voz e aquele cabelo maravilhoso...
- E aqueles músculos!
- Nem me fala...!
- Ai, estou babando?
Digamos apenas que eu fiquei quieta no meu canto enquanto elas discutiam quem era mais bonito: o vocalista ou o baterista.
Elas até chegaram a me convidar para a festa, mas acabei dando uma desculpa esfarrapada como sempre. Odeio festas, com aqueles lugares apertados que você mal consegue respirar de tanto calor humano, e todo mundo dançando e pulando em cima de você... Sou mais de pegar um bom livro e ficar lendo, calmamente deitada em minha cama, ou acampar no quintal para ver as estrelas e a lua.
Como as salas eram organizadas em ordem alfabética, eu nunca ficava na mesma que a Dih. Portanto, minha esperança de encontrá-la antes da prova foi por água abaixo assim que o sinal tocou.
Entrei na sala, arrumei uma cadeira que me pareceu decente e... Que comece a tortura.


Depois de duas horas desastrosas, eu saí da sala, meio tonta com todos os verbos irregulares que tinha escrito errado na prova de Espanhol, e com a cabeça latejando depois das várias contas sem sentido algum na prova de Matemática.
Esperava encontrar a Dih no pátio, mas novamente não a vi. Ela provavelmente saíra mais cedo, liberada pelo professor ao acabar a prova. Às vezes dá raiva; eu mal consigo terminar de escrever a última questão antes de o tempo acabar, enquanto ela sempre sai mais cedo. É irritante.
Voltei para casa, desanimada com as provas, mas com o pensamento de que finalmente – finalmente – eu estava de férias. Sem nenhum acidente, desta vez. Nenhuma catástrofe. Nenhum susto. Nenhuma perna quebrada. Mesmo que o dia ainda não tivesse acabado... já era um começo.
Ainda assim, eu continuava em meu desânimo.
Vesti uma das minhas roupas caseiras e confortáveis. Era só a Dih; eu não tinha que me enfeitar para ir para a casa dela.
Corri na frente do espelho e penteei rapidamente meus cabelos. Quando terminei, tentei conseguir uma expressão facial que dissesse: Hey, estou feliz, estamos de férias!, mas acho que nem a maravilhosa mágica do cinema conseguiria melhorar meu rosto desanimado.
Com um último "tchau" para minha mãe, saí de casa. Não sabia o porquê, mas estava com um enorme nó na garganta. Olhei por sobre o ombro repetidas vezes, sem nenhum motivo consciente. Até que dobrei a esquina e minha casa saiu de vista. Continuei seguindo em frente.


Uma palavra sobre a Adriana.
Acho que somos amigas desde... desde sempre. Eu a conheço há muito tempo, e tentar imaginar a minha vida sem a Dih... É meio como me imaginar sem pernas.
Desculpe se você não tem, mas foi a melhor comparação que encontrei.
Ela também é muito bonita; tem cabelos pretos – e quando eu digo pretos, digo pretos mesmo – e olhos igualmente negros, que fazem contraste com sua pele muito branca. Não é difícil deixá-la com raiva, e, quando isso acontece, parece que seus olhos ganham uma coloração vermelha... Leve, mas existente. E sempre sabe o que responder se você provoca. E tem o pior gênio que você possa imaginar. Isso sem contar o ódio dela por água... A Dih odeia se molhar. Um dia ainda descubro como ela faz para tomar banho.
Mas, tirando esses defeitos, é um amor de pessoa, com um coração de ouro e um ótimo senso de humor. Ficar perto dela me dá uma sensação de segurança, e... Sei lá, parece que fomos feitas para sermos amigas.
Aparentemente, eu sou a única que pensa assim, porque todos evitam a Dih como se ela fosse explodir ou assassiná-los ou qualquer outra coisa assim.
Mas acho que não posso culpá-los... A Dih com raiva faz qualquer um sair correndo chamando a mamãe.


A casa da Dih era a coisa mais fofa que se possa imaginar. A mãe dela adorava jardinagem, então o jardim na frente da casa era muito bem cuidado. A casa era de um amarelo claro, e na varanda tinha um daqueles sinos para espantar maus espíritos. Humilde, mas ainda assim elegante.
Não que eu tivesse ficado ali para admirar; tinha mais com o que me preocupar.
Toquei o interfone e esperei. Logo o rosto da Dih surgiu em uma das janelas, e ela saiu para abrir o portão e me receber.
- Oi Dih. – disse eu.
- Oi Mah. – ela disse. – Vem, vamos entrar.
Eu a segui para dentro de sua casa, e logo estava observando a decoração da sala de estar. Ela me guiou até seu quarto, onde sentou na cama e me convidou para sentar também.
- Então... – ela disse, quando já estávamos devidamente sentadas e com a porta fechada. – O que foi?
Apesar de ter (tentado) me preparar mentalmente para aquele momento, meu coração estava palpitando. Eu estava com medo de que ela me achasse louca, desse com a língua nos dentes ou qualquer outra coisa assim. Mesmo sendo minha melhor amiga... minha mãe sempre me criou dizendo que nunca devemos confiar demais nas pessoas. Como eu poderia saber se a Dih realmente era de confiança?
Logo afastei esses pensamentos. Claro que a Dih era de confiança. Melhor amiga significa alguma coisa.
- Mah? Você está pálida. – Eu ergui o rosto para olhá-la, e ela me parecia assustada. Eu devia estar com uma péssima aparência.
- Eu... eu sei. Eu fui mal nas provas e... desmaiei hoje... – Antes que me desse conta, já estava de cabeça baixa de novo, querendo que um buraco me engolisse.
- Desmaiou? Como assim?
Eu fiquei mais algum tempo em silêncio. Ergui a mão, querendo dizer que assim que organizasse minhas ideias, eu responderia.
Concentrei-me em nossas respirações, já sabendo o que dizer, mas ainda com medo de dizê-lo.
Quando finalmente tomei coragem para contá-la, alguém abriu a porta e entrou correndo. O que foi estranho, porque eu não ouvira o interfone tocar.
- Adriana? – Quem quer que fosse estava aflito e ofegando. Uma sensação horrível me invadiu quando observei seu rosto. Pânico. Sua expressão era de completamente aterrorizado.
- Paulo? – A Dih falou. Ela mantinha os olhos fixos nele. Eu tentei ignorá-la, pois sua expressão não era a melhor do mundo; era como se ela rezasse silenciosamente para ter entendido a situação errado.
- Temos que correr. Eles atacaram. – Paulo disse, ainda com aquela expressão de terror. A Dih ficou da exata cor do leite.
- Quem? – ela perguntou em um sussurro. Paulo apontou para mim.
Dih olhou-me com um profundo pânico nos olhos. Eu corri os olhos pelos rostos dos dois, completamente confusa.
Então ouvimos passos no corredor. Dih e Paulo pularam alto, de susto, e rapidamente se postaram na minha frente, olhando fixamente para a porta, em uma pose de... proteção. Eu não entendi. Mas o ambiente me deixou nervosa.
De repente, a maçaneta girou e a porta foi jogada para a parede com um estrondo, que fez uma marca na mesma. Eu vi com o canto do olho Paulo se agachar levemente.
Com o canto do olho. Porque eu prestava mais atenção no que acabava de entrar no quarto.


Era a menina do meu sonho.
- Amanda! Quer nos matar de susto? – Paulo reclamou, e ficou ereto novamente. Amanda correu os olhos pelo quarto, ignorando a pergunta de Paulo, até parar em mim. Então fechou os olhos durante um segundo, e abriu-os novamente, como eu a vira fazer no sonho.
- Odeio esses tapetes. – ela bufou. – Não dá para sentir nada com essa coisa cobrindo o chão. Não foi bem assim que eu fui criada...
- Amanda. – Paulo a interrompeu, advertindo-a. Ela voltou o olhar para ele, os olhos verdes-oliva levemente desafiadores. Paulo não se incomodou.
- Então? – ele perguntou impacientemente.
- Estamos mantendo a porta do quarto trancada, como se ela ainda estivesse lá dentro. – Amanda tornou a dizer. – Ainda não perceberam que os estamos enganando, mas nosso blefe não vai durar muito. Eles sabem que ela é poderosa, então pensam que vai resistir, mas já tentaram arrombar a porta e parecem estar pensando em um modo mais eficaz de entrar. Não temos muito tempo até eles perceberem que ela saiu e que nós os enganamos. – ela então se voltou para a Dih. – A propósito, foi uma ótima ideia chamá-la para vir aqui. Vou me lembrar disso.
Dih murmurou alguma coisa ininteligível.
- E como vamos levá-la até... – Paulo começou a falar, mas Amanda o interrompeu.
- Já vim preparada. Jade está no carro, motor ligado e pé no acelerador. Já temos tudo pronto. Só falta ela. – Então ela olhou para mim, apontando em minha direção com um aceno de cabeça. Todos os três pares de olhos na sala grudaram em meu rosto.
Aí eu disse algo genial, que merecia o prêmio de frase mais inteligente:
- Ahn?
Dih reprovou-me com um suspiro, e Amanda voltou os olhos para Paulo.
- Vamos precisar de cobertura, e quanto menos gente no carro, melhor. Vocês dois ficam e... – Mas dessa vez, quem interrompeu foi a Dih. Uma parte minúscula do meu cérebro perguntou-se por que aquela gente gostava tanto de interromper a fala alheia.
Quando lhe voltei o olhar, vi que ela estava ainda mais pálida do que antes, se é que isso era possível.
- Fogo. – ela sussurrou. Foi só uma palavra, mas eu vi todos ficando mais pálidos. Também senti o sangue fugir do meu rosto, mas não soube bem o motivo. Continuava não entendendo nada de nada.
- Eles descobriram. – disse Amanda. – Agora é só uma questão de tempo até...
Foi mais ou menos aí que eu recuperei a fala e todo o resto, e acabei interrompendo-a.
- Ei, muita calma nessa hora. Quem são vocês, o que estão fazendo aqui, como vocês se conhecem, quem é poderosa, quem é Jade e por que ficam me olhando com essa cara? Aliás, fogo onde? E como você poderia saber? – Foi tanta pergunta ao mesmo tempo, que até eu fiquei perdida em minha fala.
Ninguém me respondeu, mas a Dih me olhou com uma expressão de... solidariedade. De pena. Já o Paulo e a Amanda apenas se entreolharam.
Eles esperavam que eu tirasse alguma conclusão, mas eu não conseguia pensar direito. Meu cérebro estava confuso, as informações se embaralhando e dando nós de escoteiro umas nas outras.
Depois de mais alguns segundos, porém, eu juntei algumas peças. E falei com voz abafada, enquanto meu rosto definitivamente estava mais branco que o de todos ali presentes.
- A minha casa está pegando fogo?




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