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Capítulo 1
-Casa nova, cidade e uma vida nova- minha mãe me disse enquanto terminávamos de arrumar o meu novo quarto.
-Você já disse isso hoje praticamente mil vezes- eu disse ironicamente para ela.
Minha mãe riu da minha suposta piada e ainda, olhando para mim, continuou:
-Marina, você está exagerando.
Nesse momento, meu pai, Cristian, entrou em meu quarto com passos largos e, parecendo um pouco preocupado, olhou para mim e, em seguida para minha mãe. Por fim, acabou dizendo:
-Samanta, Mari...como está indo a organização do quarto?Vocês precisam de ajuda?
-Muito bem- eu respondi sorrindo- Já estamos quase acabando.
Meu pai suspirou aliviado e voltou para a sala para continuar a arrumá-la junto com alguns funcionários que ele havia contratado. Todos que conheço, me chamam de Mari, só não sei o motivo de minha mãe ser a única que sempre me chama pelo meu nome normal. Às vezes, isso é bastante irritante, mas eu tento não pensar no assunto.
Algumas horas depois, só faltava arrumar o quarto dos meus pais e como eu não tinha absolutamente nada mesmo para fazer, resolvi dar uma volta pela cidade.
Era uma tarde um pouco fria e no dia seguinte, minha aulas começariam na nova escola que eu nunca me lembrava do nome correto. Acho que se chama Colégio Montague, Moutagy...enfim, algo que rima com "gui".
Assim que saí de casa, respirei fundo e olhei para os lados. Havia poucas pessoas naquela hora na rua e a maioria era um bando de crianças, com aproximadamente 8 anos de idade que pareciam não ter nada para fazer e, por isso, tentavam assustar alguns cachorros de uma casa próxima à minha. Azar deles não terem 13 anos como eu.
Comecei a andar calmamente e quando cheguei no fim de uma rua, vi algo que me interessou bastante. Eu não resisti. Precisava mesmo ver o que havia naquele lugar, mesmo que alguma coisa em minha mente me dizia para fugir daquilo, eu simplesmente ignorei meus próprios pensamente e fui até lá.
Capítulo 2
Era um bosque bastante incomum e havia muitas árvores, porém, todas pareciam estar descuidadas a tempos. Era como se ninguém ousasse entrar naquele bosque a anos. O gramado crescia alto, chegando quase à minha cintura, mesmo assim, não me preocupei e comecei a andar por um caminho estreito e um pouco sinistro, pois lembrava-me uma serpente escondendo-se de sua presa para, em breve, atacá-la.
Eu não tinha ideia para onde estava indo, mas continuei em frente esperando ver o que encontraia. Quando olhei para cima, só via o alto das árvores enquanto que suas sombras dançavam ao meu redor. Ainda não eram nem cinco da tarde, porém aquele esranho caminho parecia cada vez mais escuro à medida em que eu continuava a andar.
Alguns minutos depois, a trilha estava chegando em seu fim e eu pude ver uma rua começando a surgir.
Assim que saí do "caminho da serpente", dei mais alguns passos e foi nesse momento que eu me deparei com algo assustadoramente imenso e de gelar os ossos.
Capítulo 3
Engoli em seco. Assim que dei mais alguns passos em direção àquela apavorante casa, comecei a olhar atentamente para o lugar. O imenso portão, enferrujado pelo tempo, mostrava que havia algum segredo na casa que o antigo dono ou dona não queria que ninguém ousasse descobrir.
O jardim estava totalmente deserto e as poucas folhas secas que restavam no chão, estavam sendo decompostas pelo tempo. A casa possuía dois andarem, no entanto, eu reparei em uma pequena janela no alto da casa, o que mostrava que aquilo deveria ser o sótão ou, até mesmo, algo mais misterioso que isso.
Fui até a entrada da casa e tentei achar alguma abertura secreta de algum possível intruso antigo, mas não achei nada. Nesse instante, eu ouvi algo vindo dali de dentro. Segurei a respiração e tentei distinguir que som seria aquele. Eram passos. Mas não pareciam passos comuns, o que me fez ficar imóvel por algum tempo para tentar descobrir que criatura poderia estar escondida dentro da casa.
O som de um objeto caindo surgiu próximo a mim e uma voz raivosa disse em um tom àspero que não me agradou nem um pouco:
-O que você pensa que está fazendo aí parada!? Essa casa é assombrada.
Capítulo 4
Eu me virei assustada. Próximo de mim, estava um garoto, que deveria ter a mesma idade que eu, porém, sendo um pouco mais alto que eu, tendo aproximadamente 1,75m. O menino me encarou por alguns segundos, até que eu resolvi quebrar aquele silêncio:
-Que história é esse de esta casa ser assombrada!? Se você está tentando me assustar, não vai conseguir tão fácil assim não.
Ele apenas riu.
-Você é nova na cidade?- o garoto disse aproximando-se de mim e tentando mudar de assunto- Qual seu nome?
Revirei os olhos. Essa conversa já estavame irritando.
-Marina. E sim, eu sou nova aqui, me mudei hoje de manhã.
-Legal.
Foi tudo que ele respondeu, o que estava me deixando furiosa. E ele ainda nem havia me explicado o motivo daquela casa abandonada ser assombrada. No momento em que eu iria perguntar mais detalhes sobre a casa, o garoto virou-se, pegou sua bicicleta que estava caída no chão e, em seguida, disse:
-Meu nome é Peter. E Marina, é melhor você não tentar invadir essa casa porque, como eu já disse, ela é assombrada e se você algum dia ouvir passos vindos desse lugar, é melhor você fugir, antes que seja tarde demais para você.
Em seguida, ele foi embora em sua bicicleta e me deixou sozinha naquela rua deserta. Eu olhei novamente para a casa e tentei me esquecer dos passos que ouvi, pois, afinal, o que o Peter disse era brincadeira...ou será que não!?
Capítulo 5
Na manhã seguinte, o dia amanheceu nublado. Era o primeiro dia de agosto e, consequentemente, meu primeiro dia de aula. Peguei meu fichário e a blusa cinza do uniforme que, em uma das mangas, estava escrito: Colégio Montagui. Pelo menos agora eu acho que não iria esquecer o nome da escola. Bom...eu espero não esquecer.
Enquanto meu pai me levava para o colégio, eu olhava distraída para as casas que iam passando enquanto meu pai acelerava, já que...mais uma vez- mesmo sendo em outra cidade-, eu estava atrasada para a escola.
Assim que cheguei, me despedi de meu pai e entrei no colégio. Eu não tinha ideia de onde era a minha sala e, estranhamente, não encontrei ninguém que pudesse me ajudar. Quando fui para um corredor, que estava deserto, vi escrito em uma porta: 8ºano A. Essa era a minha sala.
O corredor estava em um silêncio assustador e os únicos sons que eu ouvia eram os meus passos. Parei por um instante antes de bater na porta para entrar, e, assim que criei coragem para entrar na sala, alguém tocou o meu ombro de repente. Eu me virei assustada e me deparei com uma criatura de preto totalmente assustadora e sombria.
Capítulo 6
-Você deve ser Marina Simons, correto?- o sujeito de terno preto me perguntou.
-Sim, sou eu mesma- respondi rapidamente e ainda em estado de choque
Ele apenas sorriu e se apresentou também:
-Sou o diretor dessa escola, John Montagui.
Bom...pelo menos agora eu sabia de onde vinha o nome estranho da escola.
John olhou para a porta e, em seguida, para mim novamente.
-Vejo que você já achou a sua sala. Então vamos entrando e fazer as apresentações. Ele disse enquanto batia na porta e, para minha surpresa, ia entrando junto comigo. O diretor me apresentou a todos enquanto eu olhava para os alunos que estavam me encarando um pouco. Mesmo assim, tentei esquecer isso, pois deveria ser apenas minha imaginação me pregando peças novamente.
Não havia ninguém que eu conhecia, só um único garoto loiro que eu vira um dia antes, Peter. O único lugar vago era em uma carteira próxima da janela e ao lado dele e, assim que me apresentei à turma, fui me sentar.
Os primeiros raios de sol já começavam a serem refletidos nas janelas da sala, o que fez com que as claras paredes se tornassem os alvos naqueles raios solares alaranjados. Quando me sentei, Peter me cumprimentou com um "oi" e me disse boas vindas à escola juntamente com uma menina de cabelos castanhos, apenas um pouco mais escuros que o meu.
As duas primeiras aulas ocorreram normalmente e eu até estava gostando daquela nova cidade, mesmo que algo em minha mente tentasse me dizer que havia alguma coisa de errado naquele lugar...mas eu não tinha ideia do que poderia ser...ainda.
O sinal soou, anunciando o intervalo. O Peter e a Luana resolveram me mostrar a escola, como se eu fosse uma turista invadindo o colégio, mas tudo bem. Era melhor do que não ter nada para fazer.
Quando fomos para a cantina, havia uma multidão de alunos em volta de um cara moreno e alto, que deveria ser do nono ano. Então fomos até lá. Assim que ele pediu silêncio, todos obedereram estranhamente, então o garoto pigarreou e começou:
-Como a maioria já sabe, eu, o Martin e a Sofia fomos naquela casa a uns 4 dias atrás...- parecia algo muito sem graça o que ele estava contando, por isso, parei de prestar atenção nele por alguns minutos e preferi ficar vendo algumas gaivotas voando no horizonte em direção a sei lá onde e pensando na vida. Quando voltei a ouvir sua história, reparei nas faces assustadas dos alunos e comecei a escutar calmamente o que o garoto dizia:
-...quando estávamos tentando fugir de lá, o som de passos surgiu bem próximo de nós e bem...tudo ficou escuro sem nenhum motivo lógico e, em poucos segundos, quando liguei a lanterna, a Sofia havia sumido bem diante de nós. Eu quis proculá-la,mas...já era tarde demais.
Alguns alunos apenas abafaram um grito assustado, enquanto que eu fiquei ali imóvel e tentando pensar que aquilo não pudesse ser real, mas já estava me convencendo de que havia algo tremendamente assustador assombrando aquela cidade.
Capítulo 7
À tarde, naquele mesmo dia, resolvi contar as novidades da minha nova escola para as minhas amigas de onde eu morava, Lyzi e Lilian. Fazia pouco tempo desde que nos falamos pela última vez, mas, mesmo assim, todas nós tínhamos várias novidades para contar.
Enquanto eu digitava alguns comentários, uma coisa veio em minha mente: antes da internet ser inventada, cartas e telefones eram os principais meios de comunicação...ainda bem que já existe a internet, acho que nunca conseguiria viver sem ela, e eu não estou exagerando não!
Eu contei para as duas sobre a misteriosa casa que havia aqui e também sobre o que aquele garoto dissera na minha escola (sobre a garota que sumira). Era algo muito estranho ver e imaginar o que havia naquele lugar. Só de pensar, eu sinto um calafrio tremendo.
O telefone tocou e como eu era a única que estava em casa, fui atender a ligação.
-Alô.
-Mari é você?- uma voz familiar disse parecendo extremamente estranho e preocupado- Sou eu, o Peter. Você pode vir na entrada do bosque agora? Eu tenho uma coisa urgente para dizer.
Por um instante, eu fiquei sem dizer nada.E afinal, o que o Peter queria!? Parecia ser algo importante, então, sem pensar duas vezes, desliguei o telefone e fui em direção ao bosque apenas imaginando o que poderia ser aquela estranha notícia que ele queria me dizer. Só espero que não seja algo realmente ruim.
Capítulo 8
Assim que cheguei no bosque, vi próximo de uma imensa árvore, totalmente sem folhas, o Peter, a Luana, a Annie e o Jonny. Todos pareciam tremendamente estranhos quando me aproximei deles e já que eu ainda não sabia sobre o que se tratava, apenas tentei imaginar o que deveria ser.
O dia estava frio e um pouco nublado, o que poderia gerar uma chuva a qualquer momento, mesmo assim, não me preocupei com isso. Assim que me aproximei deles, o Peter olhou um por um e, em seguida, para mim. Por fim, disse:
-Mari, sabe aquela história que o Kevin contou hoje na escola!?
Eu afirmei com a cabeça.
-Então, nós estávamos pensando em entrar naquela casa também, afinal, aquilo que ele disse não deve ser verdade.
-Nós iremos amanhã à noite- argumentou o Jonny.
Naquela hora, eu só arregalei os olhos. Esses caras estavam loucos!? Eles queriam MESMO invadir aquela casa sinistra e, ainda por cima, de noite, mesmo ouvindo os boatos de que ela era assombrada!? Eu fiquei ali parada por alguns segundos enquanto que todos me encaravam esperando uma resposta.
-Então Mari, você vai querer ir ou não?- a Luana me perguntou quebrando o silêncio do momento.
Eu apenas engoli em seco. E agora,o que eu iria dizer!?
Capítulo 9
Todos continuavam a me encarar ansiosamente, então, eu respirei fundo e decidi acabar com aquele sufoco de uma vez.
-Tudo bem, eu vou com vocês então- eu disse enquanto que sorrisos começavam a brotar na face de todos-mas quando vocês planejam invadir aquela casa?
-Amanhã à noite- Jonny respondeu calmamente.
O dia seguinte, como era sábado, não havia aula, por isso gastei todo o meu dia escolhendo o que levar para aquela "invasão"(como por exemplo, tentar achar uma boa lanterna que não quebrasse à toa) e também passei horas conversando na internet com as minhas amigas, é claro.
O dia estava calmo, no entanto, o céu ainda continuava nublado e cinzento desde que eu me mudara para esta cidade, mesmo assim, eu não tinha tempo para me preocupar com isso. A noite chegou rapidamente e- já que minha mãe não tinha mesmo aptidão para cozinhar, se dependesse dela, nós só comeríamos em lanchonetes ou fast-foods. Bom...não seria assim tão ruim, mas uns quilinhos a mais me fariam mudar de idéia- meu pai terminava os preparativos para a janta.
Depois disso, eu fui me deitar às 8 horas- mesmo com a desconfiança de meus pais-, já que precisava acordar às 00:30. Enquanto eu tentava pegar no sono, eu estava começando a me preocupar com essa ida àquela casa assombrada e uma sensação angustiante e assustadora se apoderou de mim, era como se eu estivesse no alto de uma imensa montanha-russa, mas já estava começando a me arrepender.
Capítulo 10
Eu acho que dormi como uma pedra já que quando meu despertador me acordou, às 00:30, eu me levantei rapidamente e já estava estranhamente disposta a ir "invadir" aquela casa. Eu me levantei, vesti um jeans azul escuro, juntamente com meu melhor tênis e uma blusa azulada e peguei meu equipamentos (que demorei quase um dia inteiro para encontrar), como por exemplo, uma corda e uma lanterna.
Assim que saí silênciosamente da minha nova casa, agradeci por não morar em um condomínio fechado cheio de guardas por todos os lados. Havia uma pouco de neblina naquele horário e, vendo que as ruas estavam totalmente desertas, comecei a caminhar apressadamente em direção ao bosque.
Tudo estava assustadoramente silêncioso, como se eu fosse a última pessoa viva do planeta que tentava fugir da morte no escuro da noite. Ao pensar nisso eu me arrepiei inteira e uma sensação de solidão e angústia se apoderou de mim.
Finalmente, quando avistei o bosque, corri até o lugar e olhei para os lados, tudo ainda estava em silêncio e eu não encontrei nem o Peter ou ninguém. Eu estava sozinha naquele sombrio bosque. E foi nesse momento que eu escutei o som de passos apressados e quando me virei assustada, apenas tive tempo de ver sombras sinistras aproximando-se de mim.
Capítulo 11
Eu queria sair correndo e fugir daquele lugar, mas meus pés simplesmente não me obedeciam e eu só conseguia ficar ali parada, enquanto que algo se aproximava de mim. De repente, 3 figuras apareceram na minha frente e, para meu alívio, eram o Peter, a Luana e o Jonny. Eles vieram sorrindo até onde eu estava, então nos reunimos e começamos a entrar no "Caminho da Serpente" para chegar o mais rápido possível na Casa do Terror. Como o Peter sempre dizia.
Estava tremandamente escuro naquele lugar e a neblina também atrapalhava um pouco a visão. Nós caminhamos silenciosamente até chegar em frente à casa. Nos dividimos e fomos procurar por uma abertura para entrar no lugar e, asism que a Luana conseguiu achar uma passagem, ela nos chamou e então, em poucos segundos, estávamos no jardim da frente da casa.
De noite, o lugar parecia um cemitério abandonado e frio enquanto que a casa tinha um aspecto apavorante, como se fosse um imenso monstro pronto para atacar a sua próxima vítima. E as próprias janelas, pareciam-se com os olhos de uma criatura, analisando todos os passos de quem ousava se aproximar.
Quando chegamos na porta de entrada, eu tentei abrí-la, mas, mesmo com um empurrão, a porta nem ao menos se mexeu. Por isso, o Jonny pediu para que todos o iluminassem, assim ele poderia tentar destrancar a porta. E foi o que fizemos.
Ele pegou um pequeno canivete no bolso de sua jaqueta jeans e começou a tentar abrir a porta. Enquanto o iluminávamos, eu reparei na cor que o seu cabelo ruivo ficava sob a luz das lanternas. Parecia uma bola de fogo cheia de pequenas sombras dançantes. Nesse momento, a porta soltou um ruído e abriu-se lentamente. Um por um, nós entramos na casa e, como eu fui a última, eu dei uma última olhada naquele jardim apavorante e, segurando a respiração, entrei na casa.
Capítulo 12
Por dentro, o lugar estava totalmente sombrio e escuro e tudo que tínhamos para iluminar o lugar eram nossas sningelas lanternas. Primeiro, passamos por um cômodo imenso que devia ser a sala principal, pois havia vários sofás e outros móveis já desgastados pelo tempo. Em seguida, fomos entusiasmados por um corredor e, ao olharmos as paredes, ficamos um pouco confusos e, ao mesmo tempo, intrigados com o que vimos.
Havia dezenas de quadros pendurados nas paredes, mas não pareciam simples quadros antigos. Eu me aproximei de um e o iluminei com a lanterna, o garoto que estava no quadro tinha um olhar assustado e ele parecia estar fugindo de algo tremendamente horrível. Em seguida, vi alguns outros quadros e a medida que via cada imagem, eu me senti angustiada de continuar olhando para aquelas pessoas dos quadros, já que todos estavam sinistramente parecidos.
O Jonny tocou em uma das imagens que estava no fim do corredor, eu não sabia o que ele queria fazer e epenas continuei ali imóvel olhando para ele. Em poucos minutos, todos estavam tocando os objetos e quadros do lugar, menos eu. Já que queria a maior distância possível de qualquer coisa ligada àquela casa.
-Pessoal, venham aqui- O Peter nos chamou com uma voz assustada, rompendo com o silêncio que pairava sobre nós.
Todos iluminamos uma pequena boneca de cabelos loiros que ele segurava, porém, não parecia uma simples boneca, ela estranhamente não estava velha ou gasta e parecia nova em folha. Os outros soltaram uma exclamação de espanto assim que repararam direito na boneca. Eu não sabia ainda qual o motivo daquele susto, mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, a Luana disse com uma expressão tremendamente horrorizada:
-Gente, olhem as roupas dessa bonecae o cabelo também. Ela...é igual a Sofia.
Capítulo 13
-Não exagere Lu. É melhor a gente ir explorar outro lugar da casa, essa boneca já está me dando arrepios- argumentou Peter, enquanto ainda olhávamos para aquela boneca medonha.
-Você tem razão- começou Jonny- Eu e a Luana podemos ir ver a ala oeste da casa enquanto que o você e a Mari vão para o lado leste.
Todos concordamos com a cabeça e decidimos que em meia hora nos encontraríamos na cozinha. Então, eu e o Peter fomos iluminando o caminho enquanto escolhíamos se íamos para o outro andar ou se continuávamos ali. Eu não sabia o motivo, mas queria realmente ver o que havia dentro daquele último quarto da casa, era como se todo aquele mistério pudesse ser resolvido naquele lugar.
Nós dois decidimos ir para o próximo andar. Enquanto subíamos aquela escada nada silenciosa e já em um estado precário, não deixei de reparar em uma única janela próximo de um quadro que mostrava uma imensa árvore acinzentada. Eu parei por alguns instantes e olhei pela janela. Havia uma neblina densa envolvendo toda a casa, como se ela estivesse flutuando em uma imensidão sem cor e sem vida.
O Peter também foi até onde eu estava e também levou um tremendo susto quando viu o nevoeiro que habitava aquele jardim deserto. Não sei exatamente quanto tempo ficamos olhando aquilo, só sei que de repente, nós ouvimos um grito do Jonny. Pela sua voz, ele estava totalmente assustado e era como se ele estivesse fugindo de algo...como um monstro ou...da própria morte que o perseguia.
Eu e o Peter nos olhamos confusos e rapidamente começamos a descer as escadas e ir onde ele e a Luana estavam. Nós 4 estávamos presos em um labirinto das trevas sem saída e eu sabia que algo muito errado havia acontecido com o Jonny. Enquanto eu corria em direção às sombras, um medo terrível apoderou-se de mim, era uma sensação angustiante e sinistra que eu jamais tinha sentido em toda a minha vida...jamais.
Capítulo 14
Assim que eu e o Peter chegamos até aquele corredor cheio de quadros, encontramos a Luana enconstada em um canto e chorando. Eu perguntei a ela o que havia acontecido e ela, aos soluços, me disse que ela fora até uma parte da casa que nós ainda não tínhamos ido enquanto que o Jonny preferiu voltar para este corredor para ver alguma coisa. Quando a Luana ouviu o grito, ela voltou correndo para este corredor, mas tinha um problema. O Jonny não estava mais aqui. Ele havia desaparecido.
Foi um choque ouvir aquilo, pois parecia ser algo totalmente irreal e assombroso. Após um breve momento de silêncio, nós decidimos ir para o próximo andar, então, ainda com as lanternas ligadas, começamos a caminhar na escuridão que nos perseguia.
Logo que chegamos no outro andar, decidimos que seria melhor ficarmos juntos e ver se achávamos algo sobre aquela casa. Nesse andar, havia apenas 3 quartos e a escada que guiava para o sótão, por isso, cada um de nós foi para um cômodo.
No que eu escolhi, parecia ser um imenso quarto de casal, com uma enorme janela de madeira, uma cama, alguns armários e outros objetos que eu não reconheci, pois já estavam em decomposição. Nesse momento, acho que ouvi um som de passos lentos no corredor e, em seguida, para meu desespero, ouvi também um grito sinistro da Luana, sem pensar duas vezes, eu derrubei a lanterna(sem querer) e fui correndo na escuridão em direção ao lugar onde ela estava, e a única coisa que eu queria era chegar a tempo antes que algo pior pudesse acontecer.
Capítulo 15
Assim que entrei apressada no cômodo que a Luana estava, a encontrei em um canto sombrio do quarto, juntamente com o Peter a seu lado.
-O que aconteceu!?- Eu perguntei quase sussurrando.
-A Luana disse que viu um reflexo estranho no espelho.
-Não foi só um reflexo o que vi!- ela respondeu quase gritando e chorando- Era...uma mão esquelética que havia tocado na porta e eu vi o reflexo pelo espelho. E não foi minha imaginação se é isso que estão pensando!
-Ninguém disse isso- o Peter retrucou.
-Bom...eu não vi nada, mas ouvi alguns passos no corredor.
Assim que disse isso, os dois olharam assustados para mim. Era muito assombroso a expressão que eles tinham no rosto, por isso, me arrependi de ter dito aquilo.
-Vamos embora desta casa, eu não aguento mais!- a Luana disse começando a chorar. E pelo modo que ela havia falado, ela já estava apavorada.
-Vamos então- o Peter disse olhando para mim e continuou- Mari, cadê a sua lanterna?
-Ah, eu deixei cair no quarto onde eu estava. Vão indo na frente enquanto eu busco a lanterna.
E em seguida saí do cômodo apressada para buscá-la. A casa ainda estava bastante escura, mas eu fui tateando o chão por onde passei e em poucos minutos, a achei.
Tentei ligá-la, mas a lanterna havia quebrado um pouco quando caiu no chão, mesmo assim, ainda era possível iluminar alguns centímetros à minha frente. Quando saí do lugar e fui caminhando calmamente pelo corredor em direção à escada, ouvi um barulho atrás de mim e, de repente, parei de andar. Era o mesmo som angustiante e sinistro de antes...Passos.
Eu engoli em seco e um tremor arrepiante me envolveu, como se eu estivesse perdida e sozinha em uma nevasca, sem ver nada à minha frente...Havia algo sinistro me perseguindo e eu não queria mesmo descobrir o que poderia ser.
Capítulo 16
Eu tentei correr mas, exatamente naquela hora, minhas pernas não quiseram me obedecer. Eu já estava em pânico e nem ao menos gritar ou correr eu conseguia e também não estava com a mínima vontade de olhar para trás e ver que criatura estava a poucos metros atrás de mim. Então, continuei ali parada olhando para frente, até que, de repente, vi algo que me alegrou, mesmo que por alguns instantes.
Havia aquela pequena escada que levava para o sótão, o lugar que eu queria tanto descobrir o que tinha de misterioso. Comecei a andar apressada, mesmo com as pernas tremendo e ainda ouvindo os passos. Eu subi rapidamente a pequena e empoeirada escada até chegar a um aposento. Olhei para a escuridão do lugar, respirei fundo e entrei no cômodo.
Os passos haviam desaparecido, pelo menos por enquanto. Iluminei o que era possível com a lanterna e me deparei com algo que me chamou a atenção na parede. Uma pintura de uma mulher pálida sentada em uma cadeira de veludo, um homem sério de terno (que supostamente deveria ser seu marido e uma criança tristonha ruiva perto do casal. O que mais me chamou a atenção foi aquele garoto na gravura, ele parecia estar sendo totalmente ignorado e obrigado a estar naquela pintura. Era algo totalmente angustiante de se ver por muito tempo, por isso, comecei a tentar encontrar alguma outra coisa, porém, foi nesse momento que eu ouvi passos vindos da escada em direção ao lugar que eu estava. Olhei apavorada para tentar achar uma saída, mas não encontrei nada. Eu não tinha para onde ir e havia entrado no cômodo do suposto antigo dono e agora violava o seus segredos, então eu deveria pagar por isso. Para meu desespero, esse era meu fim.
Capítulo 17
Os passos continuaram a aproximar-se de onde eu estava e, mesmo que eu procurasse outra saída, não havia como fugir daquele pesadelo. A única coisa que consegui fazer foi ficar imóvel, encarando a escada sombria e esperando pelo pior.
Nesse momento, eu reparei que, de repente, o quarto estava ficando mais claro, eu olhei para a pequena janela do cômodo e percebi que já estava amanhecendo e os primeiros raios de sol do dia começavam a iluminar aquela sombria casa. Quando finalmente voltei a minha atenção para o que estava acontecendo próximo à mim, me dei conta de que, misteriosamente, o som dos passos havia desaparecido.
Eu respirei fundo, desci as escadas e decidi ver se havia algo no corredor. Olhei para os lados e constatei que estava vazio. Com um sorriso, eu fui apressada até a sala principal onde encontrei o Peter e a Luana me esperando.
-Mari onde você estava!?- a Luana me perguntou assim que me aproximei deles.
Eu queria falar sobre os passos que ouvi, mas preferi não comentar.
-Eu estava procurando a lanterna. Só isso.
-Tudo bem então, agora vamos embora daqui- o Peter disse enquanto saía da casa
Quando já estávamos no jardim, eu me lembrei de algo de repente e, parando de andar, falei:
-Gente, cadê o Jonny!? Ele também veio com a gente aqui.
Os dois me olharam espantados e, ao mesmo tempo, confusos.
-Mari- o Peter começou- do que você está falando? Só nós 3 viemos aqui.
Agora era minha vez de ficar confusa,como eles podiam ter se esquecido do Jonny!? Uma sensação angustiante se apoderou de mim, como se um raio houvesse me atingido. E a única coisa que consegui fazer foi continuar a olhar perplexa para eles e sem saber o que dizer.
Capítulo 18
-Mari, você está bem?- a Luana me perguntou, acho que pela minha cara, ela reparou como eu estava perplexa.
-É melhor a gente ir andando, já são quase 7 da manhã e eu estou morrendo de sono- interveio o Peter antes que eu pudesse dizer alguma coisa.
-Mas...- eu comecei, só que nem sabia o que dizer.
Então, nós começamos a voltar pelo "Caminho da Serpente", por um instante, eu olhei aquela casa diabólica e tentei imaginar porque só eu me lembrava do Jonny, ele não era mesmo um fantasma, mas COMO só EU não me esqueci dele!? Uma ideia veio à minha mente, talvez tenha sido porque ele foi o primeiro a tocar naquele quadro ou, quem sabe ,porque ele é ruivo, como o garoto tristonho da imagem que vi.
-Mari, anda logo! Vamos te deixar aqui- eu ouvi a Luana gritar.
Me virei e fui correndo até onde ela e o Peter estavam. Eu sabia que teria que voltar outro dia para procurar o Jonny, mas a única coisa que queria agora era chegar à salvo em casa, sem que nada se errado acontecesse.
Enquanto aqueles 3 garotos voltavam para suas casas, um som conhecido começou a surgir no principal corredor da casa que estavam. Um som de passos tornou-se casa vez mais constante até que, de repente, uma nova imagem, envolvida pelas sombras, surgiu na parede. Era a foto de um garoto ruivo com uma expressão de medo e terror nos olhos, como se tivesse fugindo de seu pior pesadelo ou da própria morte, mas que, infelizmente, não conseguiu.
Naquela noite, mais uma vítima caiu nas armadilhas da Casa do Terror.
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